DECRETO Nº 3.048, DE 06 DE MAIO DE 1999
(DOU
07.05.1999, rep. DOU 12.05.1999)
Aprova o Regulamento da Previdência Social, e dá
outras providências.
(ades de saúde são de relevância pública, e sua organização obedecerá aos seguintes princípios e diretrizes:
I -
acesso universal e igualitário;
II
- provimento das ações e serviços mediante rede regionalizada e hierarquizada,
integrados em sistema único;
III
- descentralização, com direção única em cada esfera de governo;
IV
- atendimento integral, com prioridade para as atividades preventivas;
V -
participação da comunidade na gestão, fiscalização e acompanhamento das ações e
serviços de saúde; e
VI
- participação da iniciativa privada na assistência à saúde, em obediência aos
preceitos constitucionais.
TÍTULO III
DA ASSISTÊNCIA SOCIAL
Art.
3º A assistência social é a política social que provê o atendimento das
necessidades básicas, traduzidas em proteção à família, à maternidade, à
infância, à adolescência, à velhice e à pessoa portadora de deficiência,
independentemente de contribuição à seguridade social.
Parágrafo
único. A organização da assistência social obedecerá às seguintes diretrizes:
I -
descentralização político-administrativa; e
II
- participação da população na formulação e controle das ações em todos os
níveis.
TÍTULO IV
DA PREVIDÊNCIA SOCIAL
Art.
4º A previdência social rege-se pelos seguintes princípios e objetivos:
I -
universalidade de participação nos planos previdenciários;
II
- uniformidade e equivalência dos benefícios e serviços às populações urbanas e
rurais;
III
- seletividade e distributividade na prestação dos benefícios;
IV
- cálculo dos benefícios considerando-se os salários-de-contribuição corrigidos
monetariamente;
V -
irredutibilidade do valor dos benefícios, de forma a preservar-lhe o poder
aquisitivo;
VI
- valor da renda mensal dos benefícios substitutos do salário-de-contribuição
ou do rendimento do trabalho do segurado não inferior ao do salário mínimo; e
VII
- caráter democrático e descentralizado da administração, mediante gestão
quadripartite, com participação dos trabalhadores, dos empregadores, dos
aposentados e do governo nos órgãos colegiados.
Art.
5º A previdência social será organizada sob a forma de regime geral, de caráter
contributivo e de filiação obrigatória, observados critérios que preservem o
equilíbrio financeiro e atuarial, e atenderá a:
I -
cobertura de eventos de doença, invalidez, morte e idade avançada;
II
- proteção à maternidade, especialmente à gestante;
III
- proteção ao trabalhador em situação de desemprego involuntário;
IV
- salário-família e auxílio-reclusão para os dependentes dos segurados de baixa
renda; e
V -
pensão por morte do segurado, homem ou mulher, ao cônjuge ou companheiro e
dependentes.
LIVRO II
DOS BENEFÍCIOS DA
PREVIDÊNCIA SOCIAL
TÍTULO I
DOS REGIMES DA PREVIDÊNCIA
SOCIAL
Art.
6º A previdência social compreende:
I -
o Regime Geral de Previdência Social; e
II
- os regimes próprios de previdência social dos servidores públicos e dos
militares.
Parágrafo
único. O Regime Geral de Previdência Social garante a cobertura de todas as
situações expressas no artigo 5º, exceto a de desemprego involuntário.
Art.
7º A administração do Regime Geral de Previdência Social é atribuída ao
Ministério da Previdência e Assistência Social, sendo exercida pelos órgãos e
entidades a ele vinculados.
TÍTULO II
DO REGIME GERAL DE
PREVIDÊNCIA SOCIAL
CAPÍTULO I
DOS BENEFICIÁRIOS
Art.
8º São beneficiários do Regime Geral de Previdência Social as pessoas físicas
classificadas como segurados e dependentes, nos termos das Seções I e II deste
Capítulo.
Seção
I
Dos
Segurados
Art.
9º São segurados obrigatórios da previdência social as seguintes pessoas
físicas:
I -
como empregado:
a)
aquele
que presta serviço de natureza urbana ou rural a empresa, em caráter não
eventual, sob sua subordinação e mediante
remuneração,
inclusive como diretor empregado;
b)
aquele que, contratado por empresa de trabalho temporário, por prazo não
superior a três meses, prorrogável, presta serviço para atender a necessidade
transitória de substituição de pessoal regular e permanente ou a acréscimo
extraordinário de serviço de outras empresas, na forma da legislação própria;
c)
o brasileiro ou o estrangeiro domiciliado e contratado no Brasil para trabalhar
como empregado no exterior, em sucursal ou agência de empresa constituída sob
as leis brasileiras e que tenha sede e administração no País;
d)
o brasileiro ou o estrangeiro domiciliado e contratado no Brasil para trabalhar
como empregado em empresa domiciliada no exterior com maioria do capital
votante pertencente a empresa constituída sob as leis brasileiras, que tenha
sede e administração no País e cujo controle efetivo esteja em caráter
permanente sob a titularidade direta ou indireta de pessoas físicas
domiciliadas e residentes no País ou de entidade de direito público interno;
e)
aquele que presta serviço no Brasil a missão diplomática ou a repartição
consular de carreira estrangeira e a órgãos a elas subordinados, ou a membros
dessas missões e repartições, excluídos o não-brasileiro sem residência
permanente no Brasil e o brasileiro amparado pela legislação previdenciária do
país da respectiva missão diplomática ou repartição consular;
f)
o brasileiro civil que trabalha para a União no exterior, em organismos
oficiais internacionais dos quais o Brasil seja membro efetivo, ainda que lá
domiciliado e contratado, salvo se amparado por regime próprio de previdência
social;
g)
o brasileiro civil que presta serviços à União no exterior, em repartições governamentais
brasileiras, lá domiciliado e contratado, inclusive o auxiliar local de que
trata a Lei nº 8.745, de 09 de dezembro de 1993, este desde que, em razão de
proibição legal, não possa filiar-se ao sistema previdenciário local;
h)
o bolsista e o estagiário que prestam serviços a empresa, em desacordo com a
Lei nº 6.494, de 07 de dezembro de 1977;
i)
o servidor da União, Estado, Distrito Federal ou Município, incluídas suas
autarquias e fundações, ocupante, exclusivamente, de cargo em comissão declarado
em lei de livre nomeação e exoneração;
j)
o servidor do Estado, Distrito Federal ou Município, bem como o das respectivas
autarquias e fundações, ocupante de cargo efetivo, desde que, nessa qualidade,
não esteja amparado por regime próprio de previdência social;
l)
o servidor contratado pela União, Estado, Distrito Federal ou Município, bem
como pelas respectivas autarquias e fundações, por tempo determinado, para
atender a necessidade temporária de excepcional interesse público, nos termos
do inciso IX do artigo 37 da Constituição Federal;
m)
o servidor da União, Estado, Distrito Federal ou Município, incluídas suas
autarquias e fundações, ocupante de emprego público;
n)
o servidor civil ocupante de cargo efetivo ou o militar da União, Estado, Distrito
Federal ou Município, bem como o das respectivas autarquias e fundações,
amparados por regime próprio de previdência social, quando requisitados para
outro órgão ou entidade cujo regime previdenciário não permita filiação nessa
condição, relativamente à remuneração recebida do órgão requisitante;
o)
o escrevente e o auxiliar contratados por titular de serviços notariais e de
registro a partir de 21 de novembro de 1994, bem como aquele que optou pelo
Regime Geral de Previdência Social, em conformidade com a Lei nº 8.935, de 18
de novembro de 1994; e
p)
o exercente de mandato eletivo federal, estadual, distrital ou municipal, nos
termos da Lei nº 9.506, de 30 de outubro de 1997, desde que não amparado por
regime próprio de previdência social;
II
- como empregado doméstico - aquele que presta serviço de natureza contínua,
mediante remuneração, a pessoa ou família, no âmbito residencial desta, em
atividade sem fins lucrativos;
III
- como empresário:
a)
o titular de firma individual urbana ou rural;
b)
o diretor não empregado e o membro de conselho de administração, na sociedade
anônima;
c)
todos os sócios, na sociedade em nome coletivo;
d)
o sócio cotista que participa da gestão ou que recebe remuneração decorrente de
seu trabalho, na sociedade por cotas de responsabilidade limitada, urbana ou
rural;
e)
todos os sócios, na sociedade de capital e indústria; e
f)
o associado eleito para cargo de direção, observada a legislação pertinente, na
cooperativa, associação ou entidade de qualquer natureza ou finalidade, bem
como o síndico ou administrador eleito para exercer atividade de direção
condominial remunerada;
IV
- como trabalhador autônomo, observado o disposto no § 15:
a)
aquele que presta serviço de natureza urbana ou rural, em caráter eventual, a uma
ou mais empresas, sem relação de emprego; e
b)
aquele que exerce, por conta própria, atividade econômica remunerada de
natureza urbana, com fins lucrativos ou não;
V -
como equiparado a trabalhador autônomo, entre outros:
a)
a pessoa física, proprietária ou não, que explora atividade agropecuária ou
pesqueira, em caráter permanente ou temporário, diretamente ou por intermédio
de prepostos e com auxílio de empregados, utilizados a qualquer título, ainda
que de forma não contínua;
b)
a pessoa física, proprietária ou não, que explora atividade de extração mineral
- garimpo - em caráter permanente ou temporário, diretamente ou por intermédio
de prepostos, com ou sem auxílio de empregados, utilizados a qualquer título,
ainda que de forma não contínua;
c)
o ministro de confissão religiosa e o membro de instituto de vida consagrada,
de congregação ou de ordem religiosa, quando mantidos pela entidade a que
pertencem, salvo se filiados obrigatoriamente à previdência social em razão de
outra atividade ou a outro regime previdenciário, militar ou civil, ainda que
na condição de inativos;
d)
o empregado de organismo oficial internacional ou estrangeiro em funcionamento
no Brasil, salvo quando amparado por regime próprio de previdência social;
e)
o brasileiro civil que trabalha no exterior para organismo oficial
internacional do qual o Brasil seja membro efetivo, ainda que lá domiciliado e
contratado, salvo quando amparado por sistema de previdência social do país do
domicílio ou por sistema previdenciário do respectivo organismo internacional;
e
f)
o aposentado de qualquer regime previdenciário nomeado magistrado classista
temporário da Justiça do Trabalho, na forma dos incisos II do § 1º do artigo
111 ou III do artigo 115 ou do parágrafo único do artigo 116 da Constituição
Federal, ou nomeado magistrado da Justiça Eleitoral, na forma dos incisos II do
artigo 119 ou III do § 1º do artigo 120 da Constituição Federal;
VI
- como trabalhador avulso - aquele que, sindicalizado ou não, presta serviço de
natureza urbana ou rural, a diversas empresas, sem vínculo empregatício, com a
intermediação obrigatória do órgão gestor de mão-de-obra, nos termos da Lei nº
8.630, de 25 de fevereiro de 1993, ou do sindicato da categoria, assim
considerados:
a)
o trabalhador que exerce atividade portuária de capatazia, estiva, conferência
e conserto de carga, vigilância de embarcação e bloco;
b)
o trabalhador de estiva de mercadorias de qualquer natureza, inclusive carvão e
minério;
c)
o trabalhador em alvarenga (embarcação para carga e descarga de navios);
d)
o amarrador de embarcação;
e)
o ensacador de café, cacau, sal e similares;
f)
o trabalhador na indústria de extração de sal;
g)
o carregador de bagagem em porto;
h)
o prático de barra em porto;
i)
o guindasteiro; e
j)
o classificador, o movimentador e o empacotador de mercadorias em portos;
VII
- como segurado especial - o produtor, o parceiro, o meeiro e o arrendatário
rurais, o pescador artesanal e seus assemelhados, que exerçam suas atividades,
individualmente ou em regime de economia familiar, com ou sem auxílio eventual
de terceiros, bem como seus respectivos cônjuges ou companheiros e filhos
maiores de dezesseis anos de idade ou a eles equiparados, desde que trabalhem
comprovadamente com o grupo familiar respectivo.
§
1º O aposentado pelo Regime Geral de Previdência Social que voltar a exercer
atividade abrangida por este regime é segurado obrigatório em relação a essa
atividade, ficando sujeito às contribuições de que trata este Regulamento.
§
2º Considera-se diretor empregado aquele que, participando ou não do risco
econômico do empreendimento, seja contratado ou promovido para cargo de direção
das sociedades anônimas, mantendo as características inerentes à relação de
emprego.
§
3º Considera-se diretor não empregado aquele que, participando ou não do risco
econômico do empreendimento, seja eleito, por assembléia geral dos acionistas,
para cargo de direção das sociedades anônimas, não mantendo as características
inerentes à relação de emprego.
§
4º Entende-se por serviço prestado em caráter não eventual aquele relacionado
direta ou indiretamente com as atividades normais da empresa.
§
5º Entende-se como regime de economia familiar a atividade em que o trabalho
dos membros da família é indispensável à própria subsistência e é exercido em
condições de mútua dependência e colaboração, sem utilização de empregado.
§
6º Entende-se como auxílio eventual de terceiros o que é exercido
ocasionalmente, em condições de mútua colaboração, não existindo subordinação
nem remuneração.
§
7º Para efeito do disposto na alínea a do inciso VI do caput, entende-se por:
I -
capatazia - a atividade de movimentação de mercadorias nas instalações de uso
público, compreendendo o recebimento, conferência, transporte interno, abertura
de volumes para conferência aduaneira, manipulação, arrumação e entrega, bem
como o carregamento e descarga de embarcações, quando efetuados por
aparelhamento portuário;
II
- estiva - a atividade de movimentação de mercadorias nos conveses ou nos
porões das embarcações principais ou auxiliares, incluindo transbordo,
arrumação, peação e despeação, bem como o carregamento e a descarga das mesmas,
quando realizados com equipamentos de bordo;
III
- conferência de carga - a contagem de volumes, anotação de suas características,
procedência ou destino, verificação do estado das mercadorias, assistência à
pesagem, conferência do manifesto e demais serviços correlatos, nas operações
de carregamento e descarga de embarcações;
IV
- conserto de carga - o reparo e a restauração das embalagens de mercadoria,
nas operações de carregamento e descarga de embarcações, reembalagem, marcação,
remarcação, carimbagem, etiquetagem, abertura de volumes para vistoria e
posterior recomposição;
V -
vigilância de embarcações - a atividade de fiscalização da entrada e saída de
pessoas a bordo das embarcações atracadas ou fundeadas ao largo, bem como da
movimentação de mercadorias nos portalós, rampas, porões, conveses, plataformas
e em outros locais da embarcação; e
VI
- bloco - a atividade de limpeza e conservação de embarcações mercantes e de
seus tanques, incluindo batimento de ferrugem, pintura, reparo de pequena monta
e serviços correlatos.
§
8º Não se considera segurado especial a que se refere o inciso VII do caput o
membro do grupo familiar que possui fonte de rendimento decorrente do exercício
de atividade remunerada, ressalvado o disposto no § 10, ou aposentadoria de
qualquer regime.
§
9º Para os fins previstos nas alíneas a e b do inciso V do caput, entende-se
que a pessoa física, proprietária ou não, explora atividade através de
prepostos quando, na condição de parceiro outorgante, desenvolve atividade
agropecuária, pesqueira ou de extração de minerais por intermédio de parceiros
ou meeiros.
§
10. O dirigente sindical mantém, durante o exercício do mandato, o mesmo
enquadramento no Regime Geral de Previdência Social de antes da investidura no
cargo.
§
11. O magistrado classista temporário da Justiça do Trabalho, nomeado na forma
do inciso II do § 1º do artigo 111 ou III do artigo 115 ou do parágrafo único
do artigo 116 da Constituição Federal, e o magistrado da Justiça Eleitoral,
nomeado na forma do inciso II do artigo 119 ou III do § 1º do artigo 120 da
Constituição Federal, mantêm o mesmo enquadramento no Regime Geral de Previdência
Social de antes da investidura no cargo.
§
12. O exercício de atividade remunerada sujeita a filiação obrigatória ao
Regime Geral de Previdência Social.
§
13. Aquele que exerce, concomitantemente, mais de uma atividade remunerada
sujeita ao Regime Geral de Previdência Social é obrigatoriamente filiado em
relação a cada uma dessas atividades, observado o disposto no § 3º do artigo
215.
§
14. Considera-se pescador artesanal aquele que, utilizando ou não embarcação
própria, com até duas toneladas brutas de tara, faz da pesca sua profissão
habitual ou meio principal de vida, inclusive em regime de parceria, meação ou
arrendamento.
§
15. São trabalhadores autônomos, entre outros:
I -
o condutor autônomo de veículo rodoviário, assim considerado aquele que exerce
atividade profissional sem vínculo empregatício, quando proprietário,
co-proprietário ou promitente comprador de um só veículo;
II
- aquele que exerce atividade de auxiliar de condutor autônomo de veículo
rodoviário, em automóvel cedido em regime de colaboração, nos termos da Lei nº
6.094, de 30 de agosto de 1974;
III
- aquele que, pessoalmente, por conta própria e a seu risco, exerce pequena
atividade comercial em via pública ou de porta em porta, como comerciante
ambulante, nos termos da Lei nº 6.586, de 06 de novembro de 1978;
IV
- o trabalhador associado a cooperativa que, nessa qualidade, presta serviços a
terceiros;
V -
o membro de conselho fiscal de sociedade por ações;
VI
- aquele que presta serviço de natureza não contínua, por conta própria, a
pessoa ou família, no âmbito residencial desta, sem fins lucrativos;
VII
- o notário ou tabelião e o oficial de registros ou registrador, titular de
cartório, que detêm a delegação do exercício da atividade notarial e de
registro, não remunerados pelos cofres públicos, admitidos a partir de 21 de
novembro de 1994;
VIII
- aquele que, na condição de pequeno feirante, compra para revenda produtos
hortifrutigranjeiros ou assemelhados;
IX
- a pessoa física que edifica obra de construção civil;
X -
o médico-residente de que trata a Lei nº 6.932, de 07 de julho de 1981, com as
alterações da Lei nº 8.138, de 28 de dezembro de 1990;
XI
- o pescador que trabalha em regime de parceria, meação ou arrendamento, em
barco com mais de duas toneladas brutas de tara; e
XII
- o incorporador de que trata o artigo 29 da Lei nº 4.591, de 16 de dezembro de
1964.
Art.
10. O servidor civil ocupante de cargo efetivo ou o militar da União, Estado,
Distrito Federal ou Município, bem como o das respectivas autarquias e
fundações, são excluídos, nesta condição, do Regime Geral de Previdência Social
consubstanciado neste Regulamento, desde que amparados por regime próprio de
previdência social.
§
1º Caso os servidores referidos no caput venham a exercer, concomitantemente,
uma ou mais atividades abrangidas pelo Regime Geral de Previdência Social,
tornar-se-ão segurados obrigatórios em relação a estas atividades.
§
2º Entende-se por regime próprio de previdência social o que assegura pelo
menos aposentadoria e pensão por morte.
Art.
11. É segurado facultativo o maior de dezesseis anos de idade que se filiar ao
Regime Geral de Previdência Social, mediante contribuição, na forma do artigo
199, desde que não esteja exercendo atividade remunerada que o enquadre como
segurado obrigatório da previdência social.
§
1º Podem filiar-se facultativamente, entre outros:
I -
a dona-de-casa;
II
- o síndico de condomínio, quando não remunerado;
III
- o estudante;
IV
- o brasileiro que acompanha cônjuge que presta serviço no exterior;
V -
aquele que deixou de ser segurado obrigatório da previdência social;
VI
- o membro de conselho tutelar de que trata o artigo 132 da Lei nº 8.069, de 13
de julho de 1990, quando não esteja vinculado a qualquer regime de previdência
social;
VII
- o bolsista e o estagiário que prestam serviços a empresa de acordo com a Lei
nº 6.494, de 1977;
VIII
- o bolsista que se dedique em tempo integral a pesquisa, curso de
especialização, pós-graduação, mestrado ou doutorado, no Brasil ou no exterior,
desde que não esteja vinculado a qualquer regime de previdência social;
IX
- o presidiário que não exerce atividade remunerada nem esteja vinculado a
qualquer regime de previdência social; e
X -
o brasileiro residente ou domiciliado no exterior, salvo se filiado a regime
previdenciário de país com o qual o Brasil mantenha acordo internacional.
§
2º É vedada a filiação ao Regime Geral de Previdência Social, na qualidade de
segurado facultativo, de pessoa participante de regime próprio de previdência
social, salvo na hipótese de afastamento sem vencimento e desde que não
permitida, nesta condição, contribuição ao respectivo regime próprio.
§
3º A filiação na qualidade de segurado facultativo representa ato volitivo,
gerando efeito somente a partir da inscrição e do primeiro recolhimento, não
podendo retroagir e não permitindo o pagamento de contribuições relativas a
competências anteriores à data da inscrição, ressalvado o § 3º do artigo 28.
§
4º Após a inscrição, o segurado facultativo somente poderá recolher contribuições
em atraso quando não tiver ocorrido perda da qualidade de segurado, conforme o
disposto no inciso VI do artigo 13.
Art.
12. Consideram-se:
I -
empresa - a firma individual ou a sociedade que assume o risco de atividade
econômica urbana ou rural, com fins lucrativos ou não, bem como os órgãos e as
entidades da administração pública direta, indireta e fundacional; e
II
- empregador doméstico - aquele que admite a seu serviço, mediante remuneração,
sem finalidade lucrativa, empregado doméstico.
Parágrafo
único. Consideram-se empresa, para os efeitos deste Regulamento:
I -
o trabalhador autônomo ou a este equiparado, em relação a segurado que lhe
presta serviço;
II
- a cooperativa, a associação ou a entidade de qualquer natureza ou finalidade,
inclusive a missão diplomática e a repartição consular de carreiras
estrangeiras;
III
- o operador portuário e o órgão gestor de mão-de-obra de que trata a Lei nº
8.630, de 1993; e
IV
- o proprietário ou dono de obra de construção civil, quando pessoa física, em
relação a segurado que lhe presta serviço.
Subseção
Única
Da
Manutenção e da Perda da Qualidade de Segurado
Art.
13. Mantém a qualidade de segurado, independentemente de contribuições:
I -
sem limite de prazo, quem está em gozo de benefício;
II
- até doze meses após a cessação de benefício por incapacidade ou após a
cessação das contribuições, o segurado que deixar de exercer atividade
remunerada abrangida pela previdência social ou estiver suspenso ou licenciado
sem remuneração;
III
- até doze meses após cessar a segregação, o segurado acometido de doença de
segregação compulsória;
IV
- até doze meses após o livramento, o segurado detido ou recluso;
V -
até três meses após o licenciamento, o segurado incorporado às Forças Armadas
para prestar serviço militar; e
VI
- até seis meses após a cessação das contribuições, o segurado facultativo.
§
1º O prazo do inciso II será prorrogado para até vinte e quatro meses, se o
segurado já tiver pago mais de cento e vinte contribuições mensais sem interrupção
que acarrete a perda da qualidade de segurado.
§
2º O prazo do inciso II ou do § 1º será acrescido de doze meses para o segurado
desempregado, desde que comprovada essa situação por registro no órgão próprio
do Ministério do Trabalho e Emprego.
§ 3º
Durante os prazos deste artigo, o segurado conserva todos os seus direitos
perante a previdência social.
Art.
14. A perda da qualidade de segurado ocorrerá no dia dezesseis do segundo mês
seguinte ao término dos prazos fixados no artigo 13.
Art.
15. Para fins do disposto no artigo anterior, se o dia quinze recair no sábado,
domingo ou feriado, inclusive o municipal, o pagamento das contribuições deverá
ser efetuado no dia útil imediatamente anterior.
Seção II
Dos Dependentes
Art.
16. São beneficiários do Regime Geral de Previdência Social, na condição de
dependentes do segurado:
I -
o cônjuge, a companheira, o companheiro e o filho não emancipado de qualquer
condição, menor de vinte e um anos ou inválido;
II
- os pais; ou
III
- o irmão não emancipado, de qualquer condição, menor de vinte e um anos ou
inválido.
§
1º Os dependentes de uma mesma classe concorrem em igualdade de condições.
§
2º A existência de dependente de qualquer das classes deste artigo exclui do
direito às prestações os das classes seguintes.
§
3º Equiparam-se aos filhos, nas condições do inciso I, mediante declaração
escrita do segurado e desde que comprovada a dependência econômica, na forma
estabelecida no § 8º do artigo 22, o enteado e o menor que esteja sob sua
tutela e não possua bens suficientes para o próprio sustento e educação.
§
4º O menor sob tutela somente poderá ser equiparado aos filhos do segurado
mediante apresentação de termo de tutela.
§
5º Considera-se companheira ou companheiro a pessoa que mantenha união estável
com o segurado ou segurada.
§
6º Considera-se união estável aquela verificada entre o homem e a mulher como
entidade familiar, quando forem solteiros, separados judicialmente, divorciados
ou viúvos, ou tenham prole em comum, enquanto não se separarem.
§
7º A dependência econômica das pessoas de que trata o inciso I é presumida e a
das demais deve ser comprovada.
Art.
17. A perda da qualidade de dependente ocorre:
I -
para o cônjuge, pela separação judicial ou divórcio, enquanto não lhe for
assegurada a prestação de alimentos, pela anulação do casamento, pelo óbito ou
por sentença judicial transitada em julgado;
II
- para a companheira ou companheiro, pela cessação da união estável com o
segurado ou segurada, enquanto não lhe for garantida a prestação de alimentos;
III
- para o filho e o irmão, de qualquer condição, ao completarem vinte e um anos
de idade ou pela emancipação, salvo se inválidos; e
IV
- para os dependentes em geral:
a)
pela cessação da invalidez; ou
b)
pelo falecimento.
Seção III
Das Inscrições
Subseção I
Do Segurado
Art.
18. Considera-se inscrição de segurado para os efeitos da previdência social o
ato pelo qual o segurado é cadastrado no Regime Geral de Previdência Social,
mediante comprovação dos dados pessoais e de outros elementos necessários e
úteis a sua caracterização, na seguinte forma:
I -
empregado e trabalhador avulso - pelo preenchimento dos documentos que os
habilitem ao exercício da atividade, formalizado pelo contrato de trabalho, no
caso de empregado, e pelo cadastramento e registro no sindicato ou órgão gestor
de mão-de-obra, no caso de trabalhador avulso;
II
- empregado doméstico - pela apresentação de documento que comprove a
existência de contrato de trabalho;
III
- empresário - pela apresentação de documento que caracterize a sua condição;
IV
- trabalhador autônomo ou a este equiparado - pela apresentação de documento
que caracterize o exercício de atividade profissional, liberal ou não;
V -
segurado especial - pela apresentação de documento que comprove o exercício de
atividade rural; e
VI
- facultativo - pela apresentação de documento de identidade e declaração
expressa de que não exerce atividade que o enquadre na categoria de segurado
obrigatório.
§
1º A inscrição do segurado de que trata o inciso I será efetuada diretamente na
empresa, sindicato ou órgão gestor de mão-de-obra e a dos demais no Instituto
Nacional do Seguro Social, vedada a inscrição post mortem.
§
2º A inscrição do segurado em qualquer categoria mencionada neste artigo exige
a idade mínima de dezesseis anos.
§
3º Todo aquele que exercer, concomitantemente, mais de uma atividade remunerada
sujeita ao Regime Geral de Previdência Social será obrigatoriamente inscrito em
relação a cada uma delas.
§
4º A previdência social poderá emitir identificação específica para o segurado
empresário, trabalhador autônomo ou a este equiparado, avulso, especial e
facultativo, para produzir efeitos exclusivamente perante ela, inclusive com a
finalidade de provar a filiação.
Art.
19. A anotação na Carteira Profissional e/ou na Carteira de Trabalho e
Previdência Social vale para todos os efeitos como prova de filiação à
previdência social, relação de emprego, tempo de serviço e
salário-de-contribuição, podendo, em caso de dúvida, ser exigida pelo Instituto
Nacional do Seguro Social a apresentação dos documentos que serviram de base à
anotação.
Art.
20. Filiação é o vínculo que se estabelece entre pessoas que contribuem para a
previdência social e esta, do qual decorrem direitos e obrigações.
Parágrafo
único. A filiação à previdência social decorre automaticamente do exercício de
atividade remunerada para os segurados obrigatórios e da inscrição formalizada
com o pagamento da primeira contribuição para o segurado facultativo.
Art.
21. Para fins do disposto nesta Seção, a anotação de dado pessoal deve ser
feita na Carteira Profissional e/ou na Carteira de Trabalho e Previdência
Social à vista do documento comprobatório do fato.
Subseção II
Do Dependente
Art.
22. Considera-se inscrição de dependente, para os efeitos da previdência
social, o ato pelo qual o segurado o qualifica perante ela e decorre da
apresentação de:
I -
para os dependentes preferenciais:
a)
cônjuge e filhos - certidões de casamento e de nascimento;
b)
companheira ou companheiro - documento de identidade e certidão de casamento
com averbação da separação judicial ou divórcio, quando um dos companheiros ou
ambos já tiverem sido casados, ou de óbito, se for o caso; e
c)
equiparado a filho - certidão judicial de tutela e, em se tratando de enteado,
certidão de casamento do segurado e de nascimento do dependente, observado o
disposto no § 3º do artigo 16;
II
- pais - certidão de nascimento do segurado e documentos de identidade dos
mesmos; e
III
- irmão - certidão de nascimento.
§
1º A inscrição dos dependentes de que trata a alínea a do inciso I do caput
será efetuada na empresa se o segurado for empregado, no sindicato ou órgão
gestor de mão-de-obra, se trabalhador avulso, e no Instituto Nacional do Seguro
Social, nos demais casos.
§
2º Incumbe ao segurado a inscrição do dependente, que deve ser feita, quando
possível, no ato da inscrição do segurado.
§
3º Para comprovação do vínculo e da dependência econômica, conforme o caso,
podem ser apresentados os seguintes documentos, observado o disposto nos §§ 7º
e 8º:
I -
certidão de nascimento de filho havido em comum;
II
- certidão de casamento religioso;
III
- declaração do imposto de renda do segurado, em que conste o interessado como
seu dependente;
IV
- disposições testamentárias;
V -
anotação constante na Carteira Profissional e/ou na Carteira de Trabalho e
Previdência Social, feita pelo órgão competente;
VI
- declaração especial feita perante tabelião;
VII
- prova de mesmo domicílio;
VIII
- prova de encargos domésticos evidentes e existência de sociedade ou comunhão
nos atos da vida civil;
IX
- procuração ou fiança reciprocamente outorgada;
X -
conta bancária conjunta;
XI
- registro em associação de qualquer natureza, onde conste o interessado como
dependente do segurado;
XII
- anotação constante de ficha ou livro de registro de empregados;
XIII
- apólice de seguro da qual conste o segurado como instituidor do seguro e a
pessoa interessada como sua beneficiária;
XIV
- ficha de tratamento em instituição de assistência médica, da qual conste o
segurado como responsável;
XV
- escritura de compra e venda de imóvel pelo segurado em nome de dependente;
XVI
- declaração de não-emancipação do dependente menor de vinte e um anos; ou
XVII
- quaisquer outros que possam levar à convicção do fato a comprovar.
§
4º O fato superveniente que importe em exclusão ou inclusão de dependente deve
ser comunicado ao Instituto Nacional do Seguro Social, com as provas cabíveis.
§
5º O segurado casado não poderá realizar a inscrição de companheira.
§
6º Somente será exigida a certidão judicial de adoção quando esta for anterior
a 14 de outubro de 1990, data da vigência da Lei nº 8.069, de 1990.
§
7º Para a comprovação do vínculo de companheira ou companheiro, os documentos
enumerados nos incisos III, IV, V, VI e XII do § 3º constituem, por si só,
prova bastante e suficiente, devendo os demais serem considerados em conjunto
de no mínimo três, corroborados, quando necessário, mediante justificação
administrativa, processada na forma dos artigos 142 a 151.
§
8º No caso de pais, irmãos, enteado e tutelado, a prova de dependência
econômica será feita por declaração do segurado firmada perante o Instituto
Nacional do Seguro Social, acompanhada de um dos documentos referidos nos
incisos III, V, VI e XIII do § 3º, que constituem, por si só, prova bastante e
suficiente, devendo os documentos referidos nos incisos IV, VII, VIII, IX, X,
XI, XII, XIV e XV serem considerados em conjunto de no mínimo três,
corroborados, quando necessário, por justificação administrativa ou parecer
socioeconômico do Serviço Social do Instituto Nacional do Seguro Social.
§
9º No caso de dependente inválido, para fins de inscrição e concessão de
benefício, a invalidez será comprovada mediante exame médico-pericial a cargo
do Instituto Nacional do Seguro Social.
§
10. Deverá ser apresentada declaração de não-emancipação, pelo segurado, no ato
de inscrição de dependente menor de vinte e um anos referido no artigo 16.
§
11. Para inscrição dos pais ou irmãos, o segurado deverá comprovar a
inexistência de dependentes preferenciais, mediante declaração firmada perante
o Instituto Nacional do Seguro Social.
§
12. Os dependentes excluídos de tal condição em razão de lei têm suas
inscrições tornadas nulas de pleno direito.
Art.
23. Ocorrendo o falecimento do segurado, sem que tenha sido feita a inscrição
do dependente, cabe a este promovê-la, observados os seguintes critérios:
I -
companheiro ou companheira - pela comprovação do vínculo, na forma prevista no
§ 7º do artigo 22;
II
- pais - pela comprovação de dependência econômica, na forma prevista no § 8º
do artigo 22;
III
- irmãos - pela comprovação de dependência econômica, na forma prevista no § 8º
do artigo 22 e declaração de não-emancipação; e
IV
- equiparado a filho - pela comprovação de dependência econômica, prova da
equiparação e declaração de que não tenha sido emancipado.
Art.
24. Os pais ou irmãos deverão, para fins de concessão de benefícios, comprovar
a inexistência de dependentes preferenciais, mediante declaração firmada
perante o Instituto Nacional do Seguro Social.
CAPÍTULO II
DAS PRESTAÇÕES EM GERAL
Seção I
Das Espécies de Prestação
Art.
25. O Regime Geral de Previdência Social compreende as seguintes prestações,
expressas em benefícios e serviços:
I -
quanto ao segurado:
a)
aposentadoria por invalidez;
b)
aposentadoria por idade;
c)
aposentadoria por tempo de contribuição;
d)
aposentadoria especial;
e)
auxílio-doença;
f)
salário-família;
g)
salário-maternidade; e
h)
auxílio-acidente;
II
- quanto ao dependente:
a)
pensão por morte; e
b)
auxílio-reclusão;
III
- quanto ao segurado e dependente: reabilitação profissional.
Seção II
Da Carência
Art.
26. Período de carência é o tempo correspondente ao número mínimo de
contribuições mensais indispensáveis para que o beneficiário faça jus ao
benefício, consideradas a partir do transcurso do primeiro dia dos meses de
suas competências.
§
1º Para o segurado especial, considera-se período de carência o tempo mínimo de
efetivo exercício de atividade rural, ainda que de forma descontínua, igual ao
número de meses necessário à concessão do benefício requerido.
§
2º Será considerado, para efeito de carência, o tempo de contribuição para o
Plano de Seguridade Social do Servidor Público anterior à Lei nº 8.647, de 13
de abril de 1993, efetuado pelo servidor público ocupante de cargo em comissão
sem vínculo efetivo com a União, autarquias, ainda que em regime especial, e
fundações públicas federais.
§
3º Não é computado para efeito de carência o tempo de atividade do trabalhador
rural anterior à competência novembro de 1991.
§
4º Para efeito de carência, considera-se presumido o recolhimento das
contribuições do segurado empregado e do trabalhador avulso.
Art.
27. Havendo perda da qualidade de segurado, as contribuições anteriores a essa
perda somente serão computadas para efeito de carência depois que o segurado
contar, a partir da nova filiação ao Regime Geral de Previdência Social, com,
no mínimo, um terço do número de contribuições exigidas para o cumprimento da
carência definida para o benefício a ser requerido.
Art.
28. O período de carência é contado:
I -
para o segurado empregado e trabalhador avulso, da data de filiação ao Regime
Geral de Previdência Social; e
II
- para o segurado empregado doméstico, empresário, trabalhador autônomo ou a
este equiparado, especial, este enquanto contribuinte individual na forma do
disposto no § 2º do artigo 200, e facultativo, da data do efetivo recolhimento
da primeira contribuição sem atraso, não sendo consideradas para esse fim as
contribuições recolhidas com atraso referentes a competências anteriores,
observado, quanto ao segurado facultativo, o disposto nos §§ 3º e 4º do artigo
11.
§
1º Para o segurado especial não contribuinte individual, o período de carência
de que trata o § 1º do artigo 26 é contado a partir do efetivo exercício da
atividade rural, mediante comprovação, na forma do disposto no artigo 62.
§
2º O período a que se refere o inciso XVIII do artigo 60 será computado para
fins de carência.
§
3º Para os segurados a que se refere o inciso II, optantes pelo recolhimento
trimestral na forma prevista nos §§ 15 e 16 do artigo 216, o período de
carência é contado a partir do mês de inscrição do segurado, desde que efetuado
o recolhimento da primeira contribuição no prazo estipulado no referido § 15.
Art.
29. A concessão das prestações pecuniárias do Regime Geral de Previdência
Social, ressalvado o disposto no artigo 30, depende dos seguintes períodos de
carência:
I -
doze contribuições mensais, nos casos de auxílio-doença e aposentadoria por
invalidez; e
II
- cento e oitenta contribuições mensais, nos casos de aposentadoria por idade,
tempo de contribuição e especial.
Art.
30. Independe de carência a concessão das seguintes prestações:
I -
pensão por morte, auxílio-reclusão, salário-família e auxílio-acidente de
qualquer natureza;
II
- salário-maternidade, exceto para a segurada especial, que observará o
disposto no § 2º do artigo 93;
III
- auxílio-doença e aposentadoria por invalidez nos casos de acidente de
qualquer natureza ou causa, bem como nos casos de segurado que, após filiar-se
ao Regime Geral de Previdência Social, for acometido de alguma das doenças ou
afecções especificadas em lista elaborada pelos Ministérios da Saúde e da
Previdência e Assistência Social a cada três anos, de acordo com os critérios
de estigma, deformação, mutilação, deficiência ou outro fator que lhe confira
especificidade e gravidade que mereçam tratamento particularizado;
IV
- aposentadoria por idade ou por invalidez, auxílio-doença, auxílio-reclusão ou
pensão por morte aos segurados especiais, desde que comprovem o exercício de
atividade rural no período imediatamente anterior ao requerimento do benefício,
ainda que de forma descontínua, igual ao número de meses correspondente à
carência do benefício requerido; e
V -
reabilitação profissional.
Parágrafo
único. Entende-se como acidente de qualquer natureza ou causa aquele de origem
traumática e por exposição a agentes exógenos (físicos, químicos e biológicos),
que acarrete lesão corporal ou perturbação funcional que cause a morte, a
perda, ou a redução permanente ou temporária da capacidade laborativa.
Seção III
Do Salário-de-benefício
Art.
31. Salário-de-benefício é o valor básico utilizado para cálculo da renda
mensal dos benefícios de prestação continuada, inclusive os regidos por normas
especiais, exceto o salário-família, a pensão por morte, o salário-maternidade
e os demais benefícios de legislação especial.
Art.
32. O salário-de-benefício consiste na média aritmética simples de todos os
últimos salários-de-contribuição relativos aos meses imediatamente anteriores
ao do afastamento da atividade ou da data de entrada do requerimento, até o
máximo de trinta e seis, apurados em período não superior a quarenta e oito meses.
§
1º No caso de aposentadoria por idade, tempo de contribuição e especial,
contando o segurado com menos de vinte e quatro salários-de-contribuição no
período máximo citado, o salário-de-benefício corresponderá a um vinte e quatro
avos da soma dos salários-de-contribuição apurados.
§
2º Nos casos de auxílio-doença e de aposentadoria por invalidez, contando o
segurado com menos de trinta e seis contribuições no período máximo citado, o
salário-de-benefício corresponderá à soma dos salários-de-contribuição dividida
pelo seu número apurado.
§
3º O valor do salário-de-benefício não será inferior ao de um salário mínimo,
nem superior ao limite máximo do salário-de-contribuição na data de início do
benefício.
§
4º Serão considerados para cálculo do salário-de-benefício os ganhos habituais
do segurado empregado, a qualquer título, sob forma de moeda corrente ou de
utilidades, sobre os quais tenha incidido contribuição previdenciária.
§
5º Não será considerado, no cálculo do salário-de-benefício, o aumento dos
salários-de-contribuição que exceder o limite legal, inclusive o
voluntariamente concedido nos trinta e seis meses imediatamente anteriores ao
início do benefício, salvo se homologado pela Justiça do Trabalho, resultante
de promoção regulada por normas gerais da empresa, admitida pela legislação do
trabalho, de sentença normativa ou de reajustamento salarial obtido pela
categoria respectiva.
§
6º Se, no período básico de cálculo, o segurado tiver recebido benefício por
incapacidade, considerar-se-á como salário-de-contribuição, no período, o
salário-de-benefício que serviu de base para o cálculo da renda mensal,
reajustado nas mesmas épocas e nas mesmas bases dos benefícios em geral, não
podendo ser inferior ao salário mínimo nem superior ao limite máximo do
salário-de-contribuição.
§
7º Exceto para o salário-família e o auxílio-acidente, será pago o valor mínimo
de benefício para as prestações referidas no artigo 30, quando não houver
salário-de-contribuição no período básico de cálculo.
§
8º Para fins de apuração do salário-de-benefício de qualquer aposentadoria
precedida de auxílio-acidente, o valor mensal deste será somado ao
salário-de-contribuição antes da aplicação da correção a que se refere o artigo
33, não podendo o total apurado ser superior ao limite máximo do
salário-de-contribuição.
§
9º No caso dos §§ 3º e 4º do artigo 56, o valor inicial do benefício será
calculado considerando-se como período básico de cálculo os trinta e seis meses
imediatamente anteriores ao mês em que o segurado completou o tempo de
contribuição, trinta anos para a mulher e trinta e cinco anos para o homem,
observado o disposto no § 2º do artigo 35 e a legislação de regência.
§
10. Para o segurado empresário, trabalhador autônomo ou a este equiparado e
facultativo optante pelo recolhimento trimestral na forma prevista no § 15 do
artigo 216, que tenha solicitado qualquer benefício previdenciário, o
salário-de-benefício consistirá na média aritmética simples de todos os últimos
salários-de-contribuição integrantes da contribuição trimestral, desde que
efetivamente recolhidos.
Art.
33. Todos os salários-de-contribuição utilizados no cálculo do
salário-de-benefício serão reajustados, mês a mês, de acordo com a variação
integral do índice definido em lei para essa finalidade, referente ao período
decorrido a partir da primeira competência do salário-de-contribuição que
compõe o período básico de cálculo até o mês anterior ao do início do
benefício, de modo a preservar os seus valores reais.
Art.
34. O salário-de-benefício do segurado que contribui em razão de atividades
concomitantes será calculado com base na soma dos salários-de-contribuição das
atividades exercidas até a data do requerimento ou do óbito ou no período
básico de cálculo, observado o disposto no artigo 32 e nas normas seguintes:
I -
quando o segurado satisfizer, em relação a cada atividade, as condições para
obtenção do benefício requerido, o salário-de-benefício será calculado com base
na soma dos respectivos salários-de-contribuição;
II
- quando não se verificar a hipótese do inciso anterior, o salário-de-benefício
corresponderá à soma das seguintes parcelas:
a)
o salário-de-benefício calculado com base nos salários-de-contribuição das
atividades em relação às quais são atendidas as condições do benefício requerido;
e
b)
um percentual da média do salário-de-contribuição de cada uma das demais
atividades, equivalente à relação entre o número de meses completos de
contribuição e os do período da carência do benefício requerido; e
III
- quando se tratar de benefício por tempo de contribuição, o percentual de que
trata a alínea b do inciso anterior será o resultante da relação entre os anos
completos de atividade e o número de anos de contribuição considerado para a
concessão do benefício.
§
1º O disposto neste artigo não se aplica ao segurado que, em obediência ao
limite máximo do salário-de-contribuição, contribuiu apenas por uma das
atividades concomitantes.
§
2º Quando o exercício de uma das atividades concomitantes se desdobrar por
atividades sucessivas, o tempo a ser considerado para os efeitos deste artigo
será a soma dos períodos de contribuição correspondentes.
§
3º Se o segurado se afastar de uma das atividades antes da data do requerimento
ou do óbito, porém em data abrangida pelo período-básico de cálculo do
salário-de-benefício, o respectivo salário-de-contribuição será computado,
observadas, conforme o caso, as normas deste artigo.
§
4º O percentual a que se referem a alínea b do inciso II e o inciso III do
caput não pode ser superior a cem por cento do limite máximo do
salário-de-contribuição.
§
5º No caso do § 3º do artigo 73, o salário-de-benefício da aposentadoria por
invalidez deve corresponder à soma das parcelas seguintes:
I -
o valor do salário-de-benefício do auxílio-doença a ser transformado em
aposentadoria por invalidez, reajustado na forma do § 6º do artigo 32; e
II
- o valor correspondente ao percentual da média dos salários-de-contribuição de
cada uma das demais atividades não consideradas no cálculo do auxílio-doença a
ser transformado, percentual este equivalente à relação entre os meses
completos de contribuição, até o máximo de doze, e os estipulados como período
de carência para a aposentadoria por invalidez.
§
6º Não se aplica o disposto neste artigo ao segurado que tenha sofrido redução
dos salários-de-contribuição das atividades concomitantes em respeito ao limite
desse salário.
Seção IV
Art.
35. A renda mensal do benefício de prestação continuada que substituir o
salário-de-contribuição ou o rendimento do trabalho do segurado não terá valor
inferior ao do salário mínimo nem superior ao limite máximo do
salário-de-contribuição, exceto no caso previsto no artigo 45.
§
1º A renda mensal dos benefícios por totalização, concedidos com base em acordos
internacionais de previdência social, pode ter valor inferior ao do salário
mínimo.
§
2º A renda mensal inicial, apurada na forma do § 9º do artigo 32, será
reajustada pelos índices de reajustamento aplicados aos benefícios, até a data
da entrada do requerimento, não sendo devido qualquer pagamento relativamente a
período anterior a esta data.
§
3º Na hipótese de a média apurada na forma do artigo 32 resultar superior ao
limite máximo do salário-de-contribuição vigente no mês de início do benefício,
a diferença percentual entre esta média e o referido limite será incorporada ao
valor do benefício juntamente com o primeiro reajuste do mesmo após a
concessão, observado que nenhum benefício assim reajustado poderá superar o
limite máximo do salário-de-contribuição vigente na competência em que ocorrer
o reajuste.
Art.
36. No cálculo do valor da renda mensal do benefício serão computados:
I -
para o segurado empregado e o trabalhador avulso, os salários-de-contribuição
referentes aos meses de contribuições devidas, ainda que não recolhidas pela
empresa, sem prejuízo da respectiva cobrança e da aplicação das penalidades
cabíveis; e
II
- para o segurado empregado, o trabalhador avulso e o segurado especial, o
valor do auxílio-acidente, considerado como salário-de-contribuição para fins
de concessão de qualquer aposentadoria, nos termos do § 8º do artigo 32.
§
1º Para os demais segurados somente serão computados os
salários-de-contribuição referentes aos meses de contribuição efetivamente
recolhida.
§
2º Ao segurado empregado e ao trabalhador avulso que tenham cumprido todas as
condições para a concessão do benefício pleiteado, mas não possam comprovar o
valor dos seus salários-de-contribuição no período básico de cálculo, será
concedido o benefício de valor mínimo, devendo esta renda ser recalculada
quando da apresentação de prova dos salários-de-contribuição.
§
3º Para o segurado empregado doméstico que, mesmo tendo satisfeito as condições
exigidas para a concessão do benefício requerido, não possa comprovar o efetivo
recolhimento das contribuições devidas, será concedido o benefício de valor
mínimo, devendo sua renda ser recalculada quando da apresentação da prova do
recolhimento das contribuições.
§
4º Nos casos dos §§ 2º e 3º, após a concessão do benefício, o órgão concessor
deverá notificar o setor de arrecadação do Instituto Nacional do Seguro Social,
para adoção das providências previstas nos artigos 238 a 246.
§
5º Sem prejuízo do disposto nos §§ 2º e 3º, cabe à previdência social manter
cadastro dos segurados com todos os informes necessários para o cálculo da
renda mensal.
§
6º Para o segurado especial que não contribui facultativamente, o disposto no
inciso II será aplicado somando-se ao valor da aposentadoria a renda mensal do
auxílio-acidente vigente na data de início da referida aposentadoria, não
sendo, neste caso, aplicada a limitação contida no inciso I do § 2º do artigo
39 e do artigo 183.
§
7º A renda mensal inicial da aposentadoria por invalidez concedida por
transformação de auxílio-doença será de cem por cento do salário-de-benefício
que serviu de base para o cálculo da renda mensal inicial do auxílio-doença,
reajustado pelos mesmos índices de correção dos benefícios em geral.
Art.
37. A renda mensal inicial, recalculada de acordo com o disposto nos §§ 2º e 3º
do artigo 36, deve ser reajustada como a dos benefícios correspondentes com
igual data de início e substituirá, a partir da data do requerimento de revisão
do valor do benefício, a renda mensal que prevalecia até então.
Parágrafo
único. Para fins da substituição de que trata o caput, o requerimento de
revisão deve ser aceito pelo Instituto Nacional do Seguro Social a partir da
concessão do benefício em valor provisório e processado quando da apresentação
de prova dos salários-de-contribuição ou de recolhimento das contribuições.
Art.
38. Para o cálculo da renda mensal do benefício referido no inciso III do caput
do artigo 39, deverá ser considerado o tempo de contribuição de que trata o
artigo 60.
Art.
39. A renda mensal do benefício de prestação continuada será calculada
aplicando-se sobre o salário-de-benefício os seguintes percentuais:
I -
auxílio-doença - noventa e um por cento do salário-de-benefício;
II
- aposentadoria por invalidez - cem por cento do salário-de-benefício;
III
- aposentadoria por idade - setenta por cento do salário-de-benefício, mais um
por cento deste por grupo de doze contribuições mensais, até o máximo de trinta
por cento;
IV
- aposentadoria por tempo de contribuição:
a)
para a mulher - cem por cento do salário-de-benefício aos trinta anos de
contribuição;
b)
para o homem - cem por cento do salário-de-benefício aos trinta e cinco anos de
contribuição; e
c)
cem por cento do salário-de-benefício, para o professor aos trinta anos, e para
a professora aos vinte e cinco anos de contribuição e de efetivo exercício em
função de magistério na educação infantil, no ensino fundamental ou no ensino
médio;
V -
aposentadoria especial - cem por cento do salário-de-benefício; e
VI
- auxílio-acidente - cinqüenta por cento do salário-de-benefício.
§
1º Para efeito do percentual de acréscimo de que trata o inciso III do caput,
assim considerado o relativo a cada grupo de doze contribuições mensais,
presumir-se-á efetivado o recolhimento correspondente, quando se tratar de
segurado empregado ou trabalhador avulso.
§
2º Para os segurados especiais é garantida a concessão, alternativamente:
I -
de aposentadoria por idade ou por invalidez, de auxílio-doença, de
auxílio-reclusão ou de pensão por morte, no valor de um salário mínimo,
observado o disposto no inciso III do artigo 30; ou
II
- dos benefícios especificados neste Regulamento, observados os critérios e a
forma de cálculo estabelecidos, desde que contribuam, facultativamente, de
acordo com o disposto no § 2º do artigo 200.
§
3º O valor mensal da pensão por morte ou do auxílio-reclusão será de cem por
cento do valor da aposentadoria que o segurado recebia ou daquela a que teria
direito se estivesse aposentado por invalidez na data de seu falecimento,
observado o disposto no § 8º do artigo 32.
§
4º Se na data do óbito o segurado estiver recebendo aposentadoria e
auxílio-acidente, o valor mensal da pensão por morte será calculado conforme o
disposto no parágrafo anterior, não incorporando o valor do auxílio-acidente.
§
5º Após a cessação do auxílio-doença decorrente de acidente de qualquer
natureza ou causa, tendo o segurado retornado ou não ao trabalho, se houver
agravamento ou seqüela que resulte na reabertura do benefício, a renda mensal
será igual a noventa e um por cento do salário-de-benefício do auxílio-doença
cessado, corrigido até o mês anterior ao da reabertura do benefício, pelos
mesmos índices de correção dos benefícios em geral.
Seção V
Do Reajustamento do Valor do
Benefício
Art.
40. É assegurado o reajustamento dos benefícios para preservar-lhes, em caráter
permanente, o valor real da data de sua concessão.
§
1º Os valores dos benefícios em manutenção serão reajustados, de acordo com
suas respectivas datas de início, com base na variação integral do índice
definido em lei para essa finalidade, desde a data de concessão do benefício ou
do seu último reajustamento.
§
2º Os benefícios devem ser pagos do primeiro ao décimo dia útil do mês seguinte
ao de sua competência, observada a distribuição proporcional do número de
beneficiários por dia de pagamento.
§
3º Em caso de comprovada inviabilidade operacional e fìnanceira do Instituto
Nacional do Seguro Social, o Conselho Nacional de Previdência Social poderá
autorizar, em caráter excepcional, que o pagamento dos benefícios de prestação
continuada concedidos a partir de 1º de agosto de 1992 seja efetuado do décimo
primeiro ao décimo segundo dia útil do mês seguinte ao de sua competência,
retornando-se à regra geral, disposta no parágrafo anterior, tão logo superadas
as dificuldades.
Art.
41. O valor mensal do abono de permanência em serviço, do auxílio-suplementar e
do auxílio-acidente será reajustado na forma do disposto no artigo 40 e não
varia de acordo com o salário-de-contribuição do segurado.
Art.
42. Nenhum benefício reajustado poderá ser superior ao limite máximo do
salário-de-contribuição, nem inferior ao valor de um salário mínimo.
Parágrafo
único. O auxílio-acidente, o abono de permanência em serviço, o
auxílio-suplementar, o salário-família e a parcela a cargo do Regime Geral de
Previdência Social dos benefícios por totalização, concedidos com base em
acordos internacionais de previdência social, poderão ter valor inferior ao do
salário mínimo.
Seção
VI
Dos
Benefícios
Subseção
I
Da
Aposentadoria por Invalidez
Art.
43. A aposentadoria por invalidez, uma vez cumprida a carência exigida, quando
for o caso, será devida ao segurado que, estando ou não em gozo de
auxílio-doença, for considerado incapaz para o trabalho e insuscetível de
reabilitação para o exercício de atividade que lhe garanta a subsistência, e
ser-lhe-á paga enquanto permanecer nessa condição.
§
1º A concessão de aposentadoria por invalidez dependerá da verificação da
condição de incapacidade, mediante exame médico-pericial a cargo da previdência
social, podendo o segurado, às suas expensas, fazer-se acompanhar de médico de
sua confiança.
§
2º A doença ou lesão de que o segurado já era portador ao filiar-se ao Regime
Geral de Previdência Social não lhe conferirá direito à aposentadoria por
invalidez, salvo quando a incapacidade sobrevier por motivo de progressão ou
agravamento dessa doença ou lesão.
Art.
44. A aposentadoria por invalidez consiste numa renda mensal calculada na forma
do inciso II do caput do artigo 39 e será devida a contar do dia imediato ao da
cessação do auxílio-doença, ressalvado o disposto no § 1º.
§
1º Concluindo a perícia médica inicial pela existência de incapacidade total e
definitiva para o trabalho, a aposentadoria por invalidez será devida:
I -
ao segurado empregado ou empresário a contar do décimo sexto dia do afastamento
da atividade ou a partir da data da entrada do requerimento, se entre o
afastamento e a entrada do requerimento decorrerem mais de trinta dias; e
II
- ao segurado empregado doméstico, trabalhador autônomo ou a este equiparado,
trabalhador avulso, segurado especial ou facultativo, a contar da data do
início da incapacidade ou da data da entrada do requerimento, se entre essas
datas decorrerem mais de trinta dias.
§
2º Durante os primeiros quinze dias de afastamento da atividade por motivo de
invalidez, caberá à empresa pagar ao segurado empregado o salário integral ou,
ao empresário, a remuneração.
§
3º A concessão de aposentadoria por invalidez, inclusive mediante transformação
de auxílio-doença concedido na forma do artigo 73, está condicionada ao
afastamento de todas as atividades.
Art.
45. O valor da aposentadoria por invalidez do segurado que necessitar da
assistência permanente de outra pessoa será acrescido de vinte e cinco por
cento, observada a relação constante do Anexo I, e:
I -
devido ainda que o valor da aposentadoria atinja o limite máximo legal; e
II
- recalculado quando o benefício que lhe deu origem for reajustado.
Parágrafo
único. O acréscimo de que trata o caput cessará com a morte do aposentado, não
sendo incorporado ao valor da pensão por morte.
Art.
46. O segurado aposentado por invalidez está obrigado, a qualquer tempo, sem
prejuízo do disposto no parágrafo único e independentemente de sua idade e sob
pena de suspensão do benefício, a submeter-se a exame médico a cargo da
previdência social, processo de reabilitação profissional por ela prescrito e
custeado e tratamento dispensado gratuitamente, exceto o cirúrgico e a
transfusão de sangue, que são facultativos.
Parágrafo
único. Observado o disposto no caput, o aposentado por invalidez fica obrigado,
sob pena de sustação do pagamento do benefício, a submeter-se a exames
médico-periciais, a realizarem-se bienalmente.
Art.
47. O aposentado por invalidez que se julgar apto a retornar à atividade deverá
solicitar a realização de nova avaliação médico-pericial.
Parágrafo
único. Se a perícia médica do Instituto Nacional do Seguro Social concluir pela
recuperação da capacidade laborativa, a aposentadoria será cancelada, observado
o disposto no artigo 49.
Art.
48. O aposentado por invalidez que retornar voluntariamente à atividade terá
sua aposentadoria automaticamente cessada, a partir da data do retorno.
Art.
49. Verificada a recuperação da capacidade de trabalho do aposentado por
invalidez, excetuando-se a situação prevista no artigo 48, serão observadas as
normas seguintes:
I -
quando a recuperação for total e ocorrer dentro de cinco anos contados da data
do início da aposentadoria por invalidez ou do auxílio-doença que a antecedeu
sem interrupção, o benefício cessará:
a)
de imediato, para o segurado empregado que tiver direito a retornar à função
que desempenhava na empresa ao se aposentar, na forma da legislação
trabalhista, valendo como documento, para tal fim, o certificado de capacidade
fornecido pela previdência social; ou
b)
após tantos meses quantos forem os anos de duração do auxílio-doença e da
aposentadoria por invalidez, para os demais segurados; e
II
- quando a recuperação for parcial ou ocorrer após o período previsto no inciso
I, ou ainda quando o segurado for declarado apto para o exercício de trabalho
diverso do qual habitualmente exercia, a aposentadoria será mantida, sem
prejuízo da volta à atividade:
a)
pelo seu valor integral, durante seis meses contados da data em que for
verificada a recuperação da capacidade;
b)
com redução de cinqüenta por cento, no período seguinte de seis meses; e
c)
com redução de setenta e cinco por cento, também por igual período de seis
meses, ao término do qual cessará definitivamente.
Art.
50. O segurado que retornar à atividade poderá requerer, a qualquer tempo, novo
benefício, tendo este processamento normal.
Parágrafo
único. Se o segurado requerer qualquer benefício durante o período citado no
artigo anterior, a aposentadoria por invalidez somente será cessada, para a
concessão do novo benefício, após o cumprimento do período de que tratam as
alíneas b do inciso I e a do inciso II do artigo 49.
Subseção
II
Da
Aposentadoria por Idade
Art.
51. A aposentadoria por idade, uma vez cumprida a carência exigida, será devida
ao segurado que completar sessenta e cinco anos de idade, se homem, ou
sessenta, se mulher, reduzidos esses limites para sessenta e cinqüenta e cinco
anos de idade para os trabalhadores rurais, respectivamente homens e mulheres,
referidos na alínea a dos incisos I e IV e nos incisos VI e VII do caput do
artigo 9º, bem como para os segurados garimpeiros que trabalhem,
comprovadamente, em regime de economia familiar, conforme definido no § 5º do artigo
9º.
Parágrafo
único. A comprovação do efetivo exercício de atividade rural será feita em
relação aos meses imediatamente anteriores ao requerimento do benefício, mesmo
que de forma descontínua, durante período igual ao da carência exigida para a
concessão do benefício, observado o disposto no artigo 182.
Art.
52. A aposentadoria por idade será devida:
I -
ao segurado empregado, inclusive o doméstico:
a)
a partir da data do desligamento do emprego, quando requerida até noventa dias
depois dela; ou
b)
a partir da data do requerimento, quando não houver desligamento do emprego ou
quando for requerida após o prazo da alínea a; e
II
- para os demais segurados, a partir da data da entrada do requerimento.
Art.
53. A aposentadoria por idade consiste numa renda mensal calculada na forma do
inciso III do caput do artigo 39.
Art.
54. A aposentadoria por idade pode ser requerida pela empresa, desde que o
segurado tenha cumprido a carência, quando este completar setenta anos de
idade, se do sexo masculino, ou sessenta e cinco, se do sexo feminino, sendo
compulsória, caso em que será garantida ao empregado a indenização prevista na
legislação trabalhista, considerada como data da rescisão do contrato de
trabalho a imediatamente anterior à do início da aposentadoria.
Art.
55. A aposentadoria por idade poderá ser decorrente da transformação de
aposentadoria por invalidez ou auxílio-doença, desde que requerida pelo
segurado, observado o cumprimento da carência exigida na data de início do
benefício a ser transformado.
Subseção
III
Da
Aposentadoria por Tempo de Contribuição
Art.
56. A aposentadoria por tempo de contribuição, uma vez cumprida a carência
exigida, será devida nos termos do § 7º do artigo 201 da Constituição.
§
1º A aposentadoria por tempo de contribuição do professor que comprove,
exclusivamente, tempo de efetivo exercício em função de magistério na educação
infantil, no ensino fundamental ou no ensino médio, será devida nos termos do §
8º do artigo 201 da Constituição.
§
2º Para fins do disposto no parágrafo anterior, considera-se função de
magistério a atividade docente do professor exercida
exclusivamente
em sala de aula.
§
3º Se mais vantajoso, fica assegurado o direito à aposentadoria, nas condições
legalmente previstas na data do cumprimento de todos os requisitos previstos no
caput, ao segurado que optou por permanecer em atividade.
§
4º Para efeito do disposto no parágrafo anterior, o valor inicial da
aposentadoria, apurado conforme o § 9º do artigo 32, será
comparado
com o valor da aposentadoria calculada na forma da regra geral deste
Regulamento, mantendo-se o mais vantajoso, considerando-se como data de início
do benefício a data da entrada do requerimento.
Art.
57. A aposentadoria por tempo de contribuição consiste numa renda mensal
calculada na forma do inciso IV do caput do artigo 39.
Art.
58. A data do início da aposentadoria por tempo de contribuição será fixada
conforme o disposto nos incisos I e II do artigo 52.
Art.
59. Considera-se tempo de contribuição o tempo, contado de data a data, desde o
início até a data do requerimento ou do desligamento de atividade abrangida
pela previdência social, descontados os períodos legalmente estabelecidos como
de suspensão de contrato de trabalho, de interrupção de exercício e de desligamento
da atividade.
Art.
60. Até que lei específica discipline a matéria, são contados como tempo de
contribuição, entre outros:
I -
o período de exercício de atividade remunerada abrangida pela previdência
social urbana e rural, ainda que anterior à sua instituição, respeitado o
disposto no inciso XVII;
II
- o período de contribuição efetuada por segurado depois de ter deixado de
exercer atividade remunerada que o enquadrava como segurado obrigatório da
previdência social;
III
- o período em que o segurado esteve recebendo auxílio-doença ou aposentadoria
por invalidez, entre períodos de atividade;
IV
- o tempo de serviço militar, salvo se já contado para inatividade remunerada
nas Forças Armadas ou auxiliares, ou para aposentadoria no serviço público federal,
estadual, do Distrito Federal ou municipal, ainda que anterior à filiação ao
Regime Geral de Previdência Social, nas seguintes condições:
a)
obrigatório ou voluntário; e
b)
alternativo, assim considerado o atribuído pelas Forças Armadas àqueles que,
após alistamento, alegarem imperativo de consciência, entendendo-se como tal o
decorrente de crença religiosa e de convicção filosófica ou política, para se
eximirem de atividades de caráter militar;
V -
o período em que a segurada esteve recebendo salário-maternidade;
VI
- o período de contribuição efetuada como segurado facultativo;
VII
- o período de afastamento da atividade do segurado anistiado que, em virtude
de motivação exclusivamente política, foi atingido por atos de exceção,
institucional ou complementar, ou abrangido pelo Decreto Legislativo nº 18, de
15 de dezembro de 1961, pelo Decreto-lei nº 864, de 12 de setembro de 1969, ou
que, em virtude de pressões ostensivas ou expedientes oficiais sigilosos, tenha
sido demitido ou compelido ao afastamento de atividade remunerada no período de
18 de setembro de 1946 a 05 de outubro de 1988;
VIII
- o tempo de serviço público federal, estadual, do Distrito Federal ou
municipal, inclusive o prestado a autarquia ou a sociedade de economia mista ou
fundação instituída pelo Poder Público, regularmente certificado na forma da
Lei nº 3.841, de 15 de dezembro de 1960, desde que a respectiva certidão tenha
sido requerida na entidade para a qual o serviço foi prestado até 30 de
setembro de 1975, véspera do início da vigência da Lei nº 6.226, de 14 de junho
de 1975;
IX
- o período em que o segurado esteve recebendo benefício por incapacidade por
acidente do trabalho, intercalado ou não;
X -
o tempo de serviço do segurado trabalhador rural anterior à competência
novembro de 1991;
XI
- o tempo de exercício de mandato classista junto a órgão de deliberação
coletiva em que, nessa qualidade, tenha havido contribuição para a previdência
social;
XII
- o tempo de serviço público prestado à administração federal direta e
autarquias federais, bem como às estaduais, do Distrito Federal e municipais,
quando aplicada a legislação que autorizou a contagem recíproca de tempo de
contribuição;
XIII
- o período de licença remunerada, desde que tenha havido desconto de contribuições;
XIV
- o período em que o segurado tenha sido colocado pela empresa em
disponibilidade remunerada, desde que tenha havido desconto de contribuições;
XV
- o tempo de serviço prestado à Justiça dos Estados, às serventias
extrajudiciais e às escrivanias judiciais, desde que não tenha havido
remuneração pelos cofres públicos e que a atividade não estivesse à época
vinculada a regime próprio de previdência social;
XVI
- o tempo de atividade patronal ou autônoma, exercida anteriormente à vigência
da Lei nº 3.807, de 26 de agosto de 1960, desde que indenizado conforme o
disposto no artigo 122;
XVII
- o período de atividade na condição de empregador rural, desde que comprovado
o recolhimento de contribuições na forma da Lei nº 6.260, de 06 de novembro de
1975, com indenização do período anterior, conforme o disposto no artigo 122;
XVIII
- o período de atividade dos auxiliares locais de nacionalidade brasileira no
exterior, amparados pela Lei nº 8.745, de 1993, anteriormente a 1º de janeiro
de 1994, desde que sua situação previdenciária esteja regularizada junto ao
Instituto Nacional do Seguro Social;
XIX
- o tempo de exercício de mandato eletivo federal, estadual, distrital ou
municipal, desde que tenha havido contribuição em época própria e não tenha
sido contado para efeito de aposentadoria por outro regime de previdência
social;
XX
- o tempo de trabalho em que o segurado esteve exposto a agentes nocivos
químicos, físicos, biológicos ou associação de agentes prejudiciais à saúde ou
à integridade física, observado o disposto nos artigos 64 a 70; e
XXI
- o tempo de contribuição efetuado pelo servidor público de que tratam as
alíneas i, j e l do inciso I do caput do artigo 9º e o § 2º do artigo 26, com
base nos artigos 8º e 9º da Lei nº 8.162, de 08 de janeiro de 1991, e no artigo
2º da Lei nº 8.688, de 21 de julho de 1993.
§
1º Não será computado como tempo de contribuição o já considerado para
concessão de qualquer aposentadoria prevista neste Regulamento ou por outro
regime de previdência social.
§
2º As aposentadorias por idade, tempo de contribuição e especial concedidas
pela previdência social, na forma deste Regulamento, são irreversíveis e
irrenunciáveis.
§
3º O tempo de contribuição de que trata este artigo será considerado para
cálculo do valor da renda mensal de qualquer benefício.
§
4º O segurado especial que contribui na forma do § 2º do artigo 200 somente
fará jus à aposentadoria por idade, tempo de contribuição e especial após o
cumprimento da carência exigida para estes benefícios, não sendo considerado
como período de carência o tempo de atividade rural não contributivo.
§
5º Não se aplica o disposto no inciso VII ao segurado demitido ou exonerado em
razão de processos administrativos ou de aplicação de política de pessoal do
governo, da empresa ou da entidade a que estavam vinculados, assim como ao
segurado ex-dirigente ou ex-representante sindical que não comprove prévia
existência do vínculo empregatício mantido com a empresa ou sindicato e o
conseqüente afastamento da atividade remunerada em razão dos atos mencionados
no referido inciso.
§
6º Caberá a cada interessado alcançado pelas disposições do inciso VII
comprovar a condição de segurado obrigatório da previdência social, mediante
apresentação dos documentos contemporâneos dos fatos ensejadores da demissão ou
afastamento da atividade remunerada, assim como apresentar o ato declaratório
da anistia, expedido pela autoridade competente, e a conseqüente comprovação da
sua publicação oficial.
§
7º Para o cômputo do período a que se refere o inciso VII, o Instituto Nacional
do Seguro Social deverá observar se no ato declaratório da anistia consta o
fundamento legal no qual se fundou e o nome do órgão, da empresa ou da entidade
a que estava vinculado o segurado à época dos atos que ensejaram a demissão ou
o afastamento da atividade remunerada.
§
8º É indispensável para o cômputo do período a que se refere o inciso VII a
prova da relação de causa entre a demissão ou afastamento da atividade
remunerada e a motivação referida no citado inciso.
Art.
61. São contados como tempo de contribuição, para efeito do disposto nos §§ 1º
e 2º do artigo 56:
I -
o de serviço público federal, estadual, do Distrito Federal ou municipal;
II
- o de recebimento de benefício por incapacidade, entre períodos de atividade;
e
III
- o de benefício por incapacidade decorrente de acidente do trabalho,
intercalado ou não.
§
1º A comprovação da condição de professor far-se-á mediante a apresentação:
I -
do respectivo diploma registrado nos órgãos competentes federais e estaduais,
ou de qualquer outro documento que comprove a habilitação para o exercício do
magistério, na forma de lei específica; e
II
- dos registros em Carteira Profissional e/ou Carteira de Trabalho e
Previdência Social complementados, quando for o caso, por declaração do
estabelecimento de ensino onde foi exercida a atividade, sempre que necessária
essa informação, para efeito e caracterização do efetivo exercício da função de
magistério, nos termos do § 2º do artigo 56.
§
2º É vedada a conversão de tempo de serviço de magistério, exercido em qualquer
época, em tempo de serviço comum.
Art.
62. A prova de tempo de serviço, considerado tempo de contribuição na forma do
artigo 60, observadas, no que couber, as peculiaridades do trabalhador autônomo
e do segurado facultativo, é feita mediante documentos que comprovem o
exercício de atividade nos períodos a serem contados, devendo esses documentos
ser contemporâneos dos fatos a comprovar e mencionar as datas de início e
término e, quando se tratar de trabalhador avulso, a duração do trabalho e a
condição em que foi prestado.
§
1º As anotações em Carteira Profissional e/ou Carteira de Trabalho e
Previdência Social relativas a férias, alterações de salários e outras que
demonstrem a seqüência do exercício da atividade podem suprir possível falha de
registro de admissão ou dispensa.
§
2º Servem para a prova prevista neste artigo os documentos seguintes:
I -
o contrato individual de trabalho, a Carteira Profissional e/ou a Carteira de
Trabalho e Previdência Social, a carteira de férias, a carteira sanitária, a
caderneta de matrícula e a caderneta de contribuições dos extintos institutos
de aposentadoria e pensões, a caderneta de inscrição pessoal visada pela
Capitania dos Portos, pela Superintendência do Desenvolvimento da Pesca, pelo
Departamento Nacional de Obras Contra as Secas e declarações da Receita
Federal;
II
- certidão de inscrição em órgão de fiscalização profissional, acompanhada do
documento que prove o exercício da atividade;
III
- contrato social e respectivo distrato, quando for o caso, ata de assembléia
geral e registro de firma individual;
IV
- contrato de arrendamento, parceria ou comodato rural;
V -
certificado de sindicato ou órgão gestor de mão-de-obra que agrupa
trabalhadores avulsos;
VI
- comprovante de cadastro do Instituto Nacional de Colonização e Reforma
Agrária, no caso de produtores em regime de economia familiar;
VII
- bloco de notas do produtor rural; ou
VIII
- declaração de sindicato de trabalhadores rurais ou colônia de pescadores,
desde que homologada pelo Instituto Nacional do Seguro Social.
§
3º Na falta de documento contemporâneo podem ser aceitos declaração do
empregador ou seu preposto, atestado de empresa ainda existente, certificado ou
certidão de entidade oficial dos quais constem os dados previstos no caput
deste artigo, desde que extraídos de registros efetivamente existentes e
acessíveis à fiscalização do Instituto Nacional do Seguro Social.
§
4º Se o documento apresentado pelo segurado não atender ao estabelecido neste
artigo, a prova exigida pode ser complementada por outros documentos que levem
à convicção do fato a comprovar, inclusive mediante justificação
administrativa, na forma do Capítulo VI deste Título.
§
5º A comprovação realizada mediante justificação administrativa ou judicial só
produz efeito perante a previdência social quando baseada em início de prova
material.
§
6º A prova material somente terá validade para a pessoa referida no documento,
não sendo permitida sua utilização por outras pessoas.
Art.
63. Não será admitida prova exclusivamente testemunhal para efeito de
comprovação de tempo de serviço ou de contribuição, salvo na ocorrência de
motivo de força maior ou caso fortuito, observado o disposto no § 2º do artigo
143.
Subseção
IV
Da
Aposentadoria Especial
Art.
64. A aposentadoria especial, uma vez cumprida a carência exigida, será devida
ao segurado que tenha trabalhado durante quinze, vinte ou vinte e cinco anos,
conforme o caso, sujeito a condições especiais que prejudiquem a saúde ou a
integridade física.
§
1º A concessão da aposentadoria especial dependerá de comprovação pelo
segurado, perante o Instituto Nacional do Seguro Social, do tempo de trabalho
permanente, não ocasional nem intermitente, exercido em condições especiais que
prejudiquem a saúde ou a integridade física, durante o período mínimo fixado no
caput.
§
2º O segurado deverá comprovar, além do tempo de trabalho, efetiva exposição
aos agentes nocivos químicos, físicos, biológicos ou associação de agentes
prejudiciais à saúde ou à integridade física, pelo período equivalente ao
exigido para a concessão do benefício.
Art.
65. Considera-se tempo de trabalho, para efeito desta Subseção, os períodos
correspondentes ao exercício de atividade permanente e habitual (não ocasional
nem intermitente), durante a jornada integral, em cada vínculo trabalhista,
sujeito a condições especiais que prejudiquem a saúde ou a integridade física,
inclusive férias, licença médica e auxílio-doença decorrente do exercício
dessas atividades.
Art.
66. Para o segurado que houver exercido sucessivamente duas ou mais atividades
sujeitas a condições especiais prejudiciais à saúde ou à integridade física,
sem completar em qualquer delas o prazo mínimo exigido para a aposentadoria
especial, os respectivos períodos serão somados após conversão, conforme tabela
abaixo, considerada a atividade preponderante:
TEMPO
A CONVERTER MULTIPLICADORES
PARA
15 PARA 20 PARA 25
DE
15 ANOS - 1,33 1,67
DE
20 ANOS 0,75 - 1,25
DE
25 ANOS
0,60 0,80 -
Art.
67. A aposentadoria especial consiste numa renda mensal calculada na forma do
inciso V do caput do artigo 39.
Art.
68. A relação dos agentes nocivos químicos, físicos, biológicos ou associação
de agentes prejudiciais à saúde ou à integridade física, considerados para fins
de concessão de aposentadoria especial, consta do Anexo IV.
§
1º As dúvidas sobre o enquadramento dos agentes de que trata o caput, para
efeito do disposto nesta Subseção, serão resolvidas pelo Ministério do Trabalho
e Emprego e pelo Ministério da Previdência e Assistência Social.
§
2º A comprovação da efetiva exposição do segurado aos agentes nocivos será
feita mediante formulário, na forma estabelecida pelo Instituto Nacional do
Seguro Social, emitido pela empresa ou seu preposto, com base em laudo técnico
de condições ambientais do trabalho expedido por médico do trabalho ou
engenheiro de segurança do trabalho nos termos da legislação trabalhista.
§
3º Do laudo técnico referido no parágrafo anterior deverão constar informação sobre
a existência de tecnologia de proteção coletiva ou individual que diminua a
intensidade do agente agressivo a limites de tolerância e recomendação sobre a
sua adoção pelo estabelecimento respectivo.
§
4º A empresa que não mantiver laudo técnico atualizado com referência aos
agentes nocivos existentes no ambiente de trabalho de seus trabalhadores ou que
emitir documento de comprovação de efetiva exposição em desacordo com o
respectivo laudo estará sujeita à multa prevista no artigo 283.
§
5º Para fins de concessão de benefício de que trata esta Subseção e observado o
disposto no parágrafo anterior, a perícia médica do Instituto Nacional do
Seguro Social deverá analisar o formulário e o laudo técnico de que tratam os
§§ 2º e 3º, bem como inspecionar o local de trabalho do segurado para confirmar
as informações contidas nos referidos documentos.
§
6º A empresa deverá elaborar e manter atualizado perfil profissiográfico
abrangendo as atividades desenvolvidas pelo trabalhador e fornecer a este,
quando da rescisão do contrato de trabalho, cópia autêntica deste documento,
sob pena da multa prevista no artigo 283.
§
7º O Ministério da Previdência e Assistência Social baixará instruções
definindo parâmetros com base na Norma Regulamentadora nº 7 (Programa de Controle
Médico de Saúde Ocupacional), Norma Regulamentadora nº 9 (Programa de Prevenção
de Riscos Ambientais) e na Norma Regulamentadora nº 15 (Atividades e Operações
Insalubres), aprovadas pela Portaria/MTb nº 3.214, de 08 de junho de 1998, para
fins de aceitação do laudo técnico de que tratam os §§ 2º e 3º.
Art.
69. A data de início da aposentadoria especial será fixada conforme o disposto
nos incisos I e II do artigo 52.
Parágrafo
único. Aplica-se o disposto no artigo 48 ao segurado que retornar ao exercício
de atividade ou operações que o sujeitem aos agentes nocivos constantes do
Anexo IV, ou nele permanecer.
Art.
70. É vedada a conversão de tempo de atividade sob condições especiais em tempo
de atividade comum.
Parágrafo
único. O tempo de trabalho exercido até 05 de março de 1997, com efetiva
exposição do segurado aos agentes nocivos químicos, físicos, biológicos ou
associação de agentes constantes do Quadro Anexo ao Decreto nº 53.831, de 25 de
março de 1964, e do Anexo I do Decreto nº 83.080, de 24 de janeiro de 1979, e
até 28 de maio de 1998, constantes do Anexo IV do Regulamento dos Benefícios da
Previdência Social, aprovado pelo Decreto nº 2.172, de 05 de março de 1997,
será somado, após a respectiva conversão, ao tempo de trabalho exercido em atividade
comum, desde que o segurado tenha completado, até as referidas datas, pelo
menos vinte por cento do tempo necessário para a obtenção da respectiva
aposentadoria, observada a seguinte tabela:
TEMPO
A CONVERTER MULTIPLICADORES TEMPO
MÍNIMO
EXIGIDO
MULHER HOMEM
(PARA
30) (PARA 35)
DE
15 ANOS 2,00 2,33 3
ANOS
DE
20 ANOS 1,50 1,75 4
ANOS
DE
25 ANOS 1,20 1,40 5
ANOS
Subseção
V
Do
Auxílio-doença
Art.
71. O auxílio-doença será devido ao segurado que, após cumprida, quando for o
caso, a carência exigida, ficar incapacitado para o seu trabalho ou para a sua
atividade habitual por mais de quinze dias consecutivos.
§
1º Não será devido auxílio-doença ao segurado que se filiar ao Regime Geral de
Previdência Social já portador de doença ou lesão invocada como causa para a
concessão do benefício, salvo quando a incapacidade sobrevier por motivo de
progressão ou agravamento dessa doença ou lesão.
§
2º Será devido auxílio-doença, independentemente de carência, aos segurados
obrigatório e facultativo, quando sofrerem acidente de qualquer natureza.
Art.
72. O auxílio-doença consiste numa renda mensal calculada na forma do inciso I
do caput do artigo 39 e será devido:
I -
a contar do décimo sexto dia do afastamento da atividade para o segurado
empregado, exceto o doméstico, e o empresário;
II
- a contar da data do início da incapacidade, para os demais segurados; ou
III
- a contar da data de entrada do requerimento, quando requerido após o
trigésimo dia do afastamento da atividade, para todos os segurados.
§
1º Quando o acidentado não se afastar do trabalho no dia do acidente, os quinze
dias de responsabilidade da empresa pela sua remuneração integral são contados
a partir da data do afastamento.
§
2º Não se aplica o disposto no inciso III quando a previdência social tiver
ciência de internação hospitalar ou tratamento ambulatorial devidamente
comprovado pelo segurado mediante atestado que deverá ser apreciado pela
perícia médica.
§
3º O auxílio-doença será devido durante o curso de reclamação trabalhista
relacionada com a rescisão do contrato de trabalho, ou após a decisão final,
desde que implementadas as condições mínimas para a concessão do benefício,
observado o disposto nos §§ 2º e 3º do artigo 36.
Art.
73. O auxílio-doença do segurado que exercer mais de uma atividade abrangida
pela previdência social será devido mesmo no caso de incapacidade apenas para o
exercício de uma delas, devendo a perícia médica ser conhecedora de todas as
atividades que o mesmo estiver exercendo.
§
1º Na hipótese deste artigo, o auxílio-doença será concedido em relação à
atividade para a qual o segurado estiver incapacitado, considerando-se para
efeito de carência somente as contribuições relativas a essa atividade.
§
2º Se nas várias atividades o segurado exercer a mesma profissão, será exigido
de imediato o afastamento de todas.
§
3º Constatada, durante o recebimento do auxílio-doença concedido nos termos
deste artigo, a incapacidade do segurado para cada uma das demais atividades, o
valor do benefício deverá ser revisto com base nos respectivos
salários-de-contribuição, observado o disposto nos incisos I a III do artigo
72.
Art.
74. Quando o segurado que exercer mais de uma atividade se incapacitar
definitivamente para uma delas, deverá o auxílio-doença ser mantido
indefinidamente, não cabendo sua transformação em aposentadoria por invalidez,
enquanto essa incapacidade não se estender às demais atividades.
Parágrafo
único. Na situação prevista no caput, o segurado somente poderá transferir-se
das demais atividades que exerce após o conhecimento da reavaliação
médico-pericial.
Art.
75. Durante os primeiros quinze dias consecutivos de afastamento da atividade
por motivo de doença, incumbe à empresa pagar ao segurado empregado o seu salário
ou, ao segurado empresário, a sua remuneração.
§
1º Cabe à empresa que dispuser de serviço médico próprio ou em convênio o exame
médico e o abono das faltas correspondentes aos primeiros quinze dias de
afastamento.
§
2º Quando a incapacidade ultrapassar quinze dias consecutivos, o segurado será
encaminhado à perícia médica do Instituto Nacional do Seguro Social.
§
3º Se concedido novo benefício decorrente da mesma doença dentro de sessenta
dias contados da cessação do benefício anterior, a empresa fica desobrigada do
pagamento relativo aos quinze primeiros dias de afastamento, prorrogando-se o
benefício anterior e descontando-se os dias trabalhados, se for o caso.
§
4º Se o segurado empregado ou empresário, por motivo de doença, afastar-se do
trabalho durante quinze dias, retornando à atividade no décimo sexto dia, e se
dela voltar a se afastar dentro de sessenta dias desse retorno, fará jus ao
auxílio-doença a partir da data do novo afastamento.
Art.
76. A previdência social deve processar de ofício o benefício, quando tiver
ciência da incapacidade do segurado sem que este tenha requerido
auxílio-doença.
Art.
77. O segurado em gozo de auxílio-doença está obrigado, independentemente de
sua idade e sob pena de suspensão do benefício, a submeter-se a exame médico a
cargo da previdência social, processo de reabilitação profissional por ela
prescrito e custeado e tratamento dispensado gratuitamente, exceto o cirúrgico
e a transfusão de sangue, que são facultativos.
Art.
78. O auxílio-doença cessa pela recuperação da capacidade para o trabalho, pela
transformação em aposentadoria por invalidez ou auxílio-acidente de qualquer
natureza, neste caso se resultar seqüela que implique redução da capacidade
para o trabalho que habitualmente exercia.
Art.
79. O segurado em gozo de auxílio-doença, insuscetível de recuperação para sua
atividade habitual, deverá submeter-se a processo de reabilitação profissional
para exercício de outra atividade, não cessando o benefício até que seja dado
como habilitado para o desempenho de nova atividade que lhe garanta a
subsistência ou, quando considerado não recuperável, seja aposentado por
invalidez.
Art.
80. O segurado empregado em gozo de auxílio-doença é considerado pela empresa
como licenciado.
Parágrafo
único. A empresa que garantir ao segurado licença remunerada ficará obrigada a
pagar-lhe durante o período de auxílio-doença a eventual diferença entre o
valor deste e a importância garantida pela licença.
Subseção
VI
Do
Salário-família
Art.
81. O salário-família será devido, mensalmente, ao segurado empregado, exceto o
doméstico, e ao trabalhador avulso que tenham salário-de-contribuição inferior
ou igual a R$ 360,00 (trezentos e sessenta reais), na proporção do respectivo
número de filhos ou equiparados, nos termos do artigo 16, observado o disposto
no artigo 83.
Art.
82. O salário-família será pago mensalmente:
I -
ao empregado, pela empresa, com o respectivo salário, e ao trabalhador avulso,
pelo sindicato ou órgão gestor de mão-de-obra, mediante convênio;
II
- ao empregado e trabalhador avulso aposentados por invalidez ou em gozo de
auxílio-doença, pelo Instituto Nacional do Seguro Social, juntamente com o
benefício;
III
- ao trabalhador rural aposentado por idade aos sessenta anos, se do sexo
masculino, ou cinqüenta e cinco anos, se do sexo feminino, pelo Instituto
Nacional do Seguro Social, juntamente com a aposentadoria; e
IV
- aos demais empregados e trabalhadores avulsos aposentados aos sessenta e
cinco anos de idade, se do sexo masculino, ou sessenta anos, se do sexo
feminino, pelo Instituto Nacional do Seguro Social, juntamente com a
aposentadoria.
§
1º No caso do inciso I, quando o salário do empregado não for mensal, o
salário-família será pago juntamente com o último pagamento relativo ao mês.
§
2º O salário-família do trabalhador avulso independe do número de dias
trabalhados no mês, devendo o seu pagamento corresponder ao valor integral da
cota.
§
3º Quando o pai e a mãe são segurados empregados ou trabalhadores avulsos,
ambos têm direito ao salário-família.
§
4º As cotas do salário-família, pagas pela empresa, deverão ser deduzidas
quando do recolhimento das contribuições sobre a folha de salário.
Art.
83. O valor da cota do salário-família por filho ou equiparado de qualquer
condição, até quatorze anos de idade ou inválido, é de R$ 8,65 (oito reais e
sessenta e cinco centavos).
Art.
84. O pagamento do salário-família será devido a partir da data da apresentação
da certidão de nascimento do filho ou da documentação relativa ao equiparado,
estando condicionado à apresentação anual de atestado de vacinação obrigatória.
Parágrafo
único. A empresa deverá conservar, durante dez anos, os comprovantes dos
pagamentos e as cópias das certidões correspondentes, para exame pela
fiscalização do Instituto Nacional do Seguro Social, conforme o disposto no §
7º do artigo 225.
Art.
85. A invalidez do filho ou equiparado maior de quatorze anos de idade deve ser
verificada em exame médico-pericial a cargo da previdência social.
Art.
86. O salário-família correspondente ao mês de afastamento do trabalho será
pago integralmente pela empresa, pelo sindicato ou órgão gestor de mão-de-obra,
conforme o caso, e o do mês da cessação de benefício pelo Instituto Nacional do
Seguro Social.
Art.
87. Tendo havido divórcio, separação judicial ou de fato dos pais, ou em caso
de abandono legalmente caracterizado ou perda do pátrio-poder, o
salário-família passará a ser pago diretamente àquele a cujo cargo ficar o
sustento do menor, ou a outra pessoa, se houver determinação judicial nesse
sentido.
Art.
88. O direito ao salário-família cessa automaticamente:
I -
por morte do filho ou equiparado, a contar do mês seguinte ao do óbito;
II
- quando o filho ou equiparado completar quatorze anos de idade, salvo se
inválido, a contar do mês seguinte ao da data do aniversário;
III
- pela recuperação da capacidade do filho ou equiparado inválido, a contar do
mês seguinte ao da cessação da incapacidade; ou
IV
- pelo desemprego do segurado.
Art.
89. Para efeito de concessão e manutenção do salário-família, o segurado deve
firmar termo de responsabilidade, no qual se comprometa a comunicar à empresa
ou ao Instituto Nacional do Seguro Social qualquer fato ou circunstância que
determine a perda do direito ao benefício, ficando sujeito, em caso do não-cumprimento,
às sanções penais e trabalhistas.
Art.
90. A falta de comunicação oportuna de fato que implique cessação do
salário-família, bem como a prática, pelo empregado, de fraude de qualquer
natureza para o seu recebimento, autoriza a empresa, o Instituto Nacional do
Seguro Social, o sindicato ou órgão gestor de mão-de-obra, conforme o caso, a
descontar dos pagamentos de cotas devidas com relação a outros filhos ou, na
falta delas, do próprio salário do empregado ou da renda mensal do seu benefício,
o valor das cotas indevidamente recebidas, sem prejuízo das sanções penais
cabíveis, observado o disposto no § 2º do artigo 154.
Art.
91. O empregado deve dar quitação à empresa, sindicato ou órgão gestor de
mão-de-obra de cada recebimento mensal do salário-família, na própria folha de
pagamento ou por outra forma admitida, de modo que a quitação fique plena e
claramente caracterizada.
Art.
92. As cotas do salário-família não serão incorporadas, para qualquer efeito,
ao salário ou ao benefício.
Subseção
VII
Do
Salário-maternidade
Art.
93. O salário-maternidade é devido, independentemente de carência, à segurada
empregada, à trabalhadora avulsa e à empregada doméstica, durante cento e vinte
dias, com início vinte e oito dias antes e término noventa e um dias depois do
parto, podendo ser prorrogado na forma prevista no § 3º.
§
1º Para a segurada empregada, inclusive a doméstica, observar-se-á, no que
couber, as situações e condições previstas na legislação trabalhista relativas
à proteção à maternidade.
§
2º Será devido o salário-maternidade à segurada especial, desde que comprove o
exercício de atividade rural nos últimos doze meses imediatamente anteriores ao
requerimento do benefício, mesmo que de forma descontínua.
§
3º Em casos excepcionais, os períodos de repouso anterior e posterior ao parto
podem ser aumentados de mais duas semanas, mediante atestado médico fornecido
pelo Sistema Único de Saúde.
§
4º Em caso de parto antecipado ou não, a segurada tem direito aos cento e vinte
dias previstos neste artigo.
§
5º Em caso de aborto não criminoso, comprovado mediante atestado médico
fornecido pelo Sistema Único de Saúde, a segurada terá direito ao
salário-maternidade correspondente a duas semanas.
§
6º Será devido, juntamente com a última parcela paga em cada exercício, o abono
anual - décimo terceiro salário - do salário-maternidade, proporcional ao
período de duração do benefício.
Art.
94. O salário-maternidade para a segurada empregada consiste numa renda mensal
igual à sua remuneração integral e será pago pela empresa, efetivando-se a
dedução quando do recolhimento das contribuições sobre a folha de salário,
devendo aplicar-se à renda mensal do benefício o disposto no artigo 198.
§
1º A empregada deve dar quitação à empresa dos recebimentos mensais do
salário-maternidade na própria folha de pagamento ou por outra forma admitida,
de modo que a quitação fique plena e claramente caracterizada.
§
2º A empresa deve conservar, durante dez anos, os comprovantes dos pagamentos e
os atestados correspondentes para exame pela fiscalização do Instituto Nacional
do Seguro Social, conforme o disposto no § 7º do artigo 225.
Art.
95. Compete aos órgãos pertencentes ao Sistema Único de Saúde fornecer os
atestados médicos necessários, inclusive para efeitos trabalhistas.
Parágrafo
único. Quando o parto ocorrer sem acompanhamento médico, o atestado será
fornecido pela perícia médica do Instituto Nacional do Seguro Social.
Art.
96. O início do afastamento do trabalho da segurada empregada será determinado
com base em atestado médico fornecido pelo Sistema Único de Saúde.
§
1º Quando a empresa dispuser de serviço médico próprio ou em convênio com o
Sistema Único de Saúde, o atestado deverá ser fornecido por aquele serviço
médico.
§
2º O atestado deve indicar, além dos dados médicos necessários, os períodos a
que se referem o artigo 93 e seus parágrafos, bem como a data do afastamento do
trabalho.
Art.
97. O salário-maternidade da empregada será devido pela previdência social
enquanto existir a relação de emprego.
Art.
98. No caso de empregos concomitantes, a segurada fará jus ao
salário-maternidade relativo a cada emprego.
Art.
99. Nos meses de início e término do salário-maternidade da segurada empregada,
o salário-maternidade será proporcional aos dias de afastamento do trabalho.
Art.
100. O salário-maternidade da segurada trabalhadora avulsa consiste numa renda
mensal igual à sua remuneração integral equivalente a um mês de trabalho,
devendo aplicar-se à renda mensal do benefício o disposto no artigo 198.
Art.
101. O salário-maternidade da segurada trabalhadora avulsa, da empregada
doméstica e da segurada especial será pago diretamente pelo Instituto Nacional
do Seguro Social.
§
1º O salário-maternidade da empregada doméstica será igual ao valor do seu
último salário-de-contribuição e será pago diretamente pelo Instituto Nacional
do Seguro Social, devendo aplicar-se à renda mensal do benefício o disposto no
artigo 198.
§
2º O salário-maternidade da segurada especial será equivalente ao valor de um
salário mínimo.
Art.
102. O salário-maternidade não pode ser acumulado com benefício por
incapacidade.
Parágrafo
único. Quando ocorrer incapacidade em concomitância com o período de pagamento
do salário-maternidade, o benefício por incapacidade, conforme o caso, deverá
ser suspenso enquanto perdurar o referido pagamento, ou terá sua data de início
adiada para o primeiro dia seguinte ao término do período de cento e vinte
dias.
Art.
103. A segurada aposentada que retornar à atividade fará jus ao pagamento do
salário-maternidade, de acordo com o disposto no artigo 93.
Subseção
VIII
Do
Auxílio-acidente
Art.
104. O auxílio-acidente será concedido, como indenização, ao segurado
empregado, exceto o doméstico, ao trabalhador avulso, ao segurado especial e ao
médico-residente quando, após a consolidação das lesões decorrentes de acidente
de qualquer natureza, resultar seqüela definitiva que implique:
I -
redução da capacidade para o trabalho que habitualmente exerciam e se enquadre
nas situações discriminadas no Anexo III;
II
- redução da capacidade para o trabalho que habitualmente exerciam e exija
maior esforço para o desempenho da mesma atividade que exerciam à época do
acidente; ou
III
- impossibilidade de desempenho da atividade que exerciam à época do acidente,
porém permita o desempenho de outra, após processo de reabilitação
profissional, nos casos indicados pela perícia médica do Instituto Nacional do
Seguro Social.
§
1º O auxílio-acidente mensal corresponderá a cinqüenta por cento do
salário-de-benefício que deu origem ao auxílio-doença do segurado, corrigido
até o mês anterior ao do início do auxílio-acidente e será devido até a véspera
de início de qualquer aposentadoria ou até a data do óbito do segurado.
§
2º O auxílio-acidente será devido a contar do dia seguinte ao da cessação do
auxílio-doença, independentemente de qualquer remuneração ou rendimento
auferido pelo acidentado, vedada sua acumulação com qualquer aposentadoria.
§
3º O recebimento de salário ou concessão de outro benefício, exceto de aposentadoria,
não prejudicará a continuidade do recebimento do auxílio-acidente.
§
4º Não dará ensejo ao benefício a que se refere este artigo o caso:
I -
que apresente danos funcionais ou redução da capacidade funcional sem
repercussão na capacidade laborativa; e
II
- de mudança de função, mediante readaptação profissional promovida pela
empresa, como medida preventiva, em decorrência de inadequação do local de
trabalho.
§
5º A perda da audição, em qualquer grau, somente proporcionará a concessão do
auxílio-acidente, quando, além do reconhecimento do nexo de causa entre o
trabalho e a doença, resultar, comprovadamente, na redução ou perda da
capacidade para o trabalho que o segurado habitualmente exercia.
§
6º No caso de reabertura de auxílio-doença por acidente de qualquer natureza
que tenha dado origem a auxílio-acidente, este será suspenso até a cessação do
auxílio-doença reaberto, quando será reativado.
§
7º Não cabe a concessão de auxílio-acidente quando o segurado estiver
desempregado, podendo ser concedido o auxílio-doença previdenciário, desde que
atendidas as condições inerentes à espécie.
Subseção
IX
Da
Pensão por Morte
Art.
105. A pensão por morte será devida ao conjunto dos dependentes do segurado que
falecer, aposentado ou não, a contar da data:
I -
do óbito, quando requerida até trinta dias depois deste;
II
- do requerimento, quando requerida após o prazo previsto no inciso I; ou
III
- da decisão judicial, no caso de morte presumida.
Parágrafo
único. No caso do disposto no inciso II, a data de início do benefício será a
data do óbito, aplicados os devidos reajustamentos até a data de início do
pagamento, não sendo devida qualquer importância relativa a período anterior à
data de entrada do requerimento.
Art.
106. A pensão por morte consiste numa renda mensal calculada na forma do § 3º
do artigo 39.
Art.
107. A concessão da pensão por morte não será protelada pela falta de
habilitação de outro possível dependente, e qualquer habilitação posterior que
importe em exclusão ou inclusão de dependente somente produzirá efeito a contar
da data da habilitação.
Art.
108. A pensão por morte somente será devida ao dependente inválido se for
comprovada pela perícia médica a existência de invalidez na data do óbito do
segurado.
Parágrafo
único. Ao dependente aposentado por invalidez poderá ser exigido exame
médico-pericial, a critério do Instituto Nacional do Seguro Social.
Art.
109. O pensionista inválido está obrigado, independentemente de sua idade e sob
pena de suspensão do benefício, a submeter-se a exame médico a cargo da
previdência social, processo de reabilitação profissional por ela prescrito e
custeado e tratamento dispensado gratuitamente, exceto o cirúrgico e a
transfusão de sangue, que são facultativos.
Art.
110. O cônjuge ausente somente fará jus ao benefício a partir da data de sua
habilitação e mediante prova de dependência econômica, não excluindo do direito
a companheira ou o companheiro.
Art.
111. O cônjuge divorciado ou separado judicialmente ou de fato, que recebia
pensão de alimentos, receberá a pensão em igualdade de condições com os demais
dependentes referidos no inciso I do artigo 16.
Art.
112. A pensão poderá ser concedida, em caráter provisório, por morte presumida:
I -
mediante sentença declaratória de ausência, expedida por autoridade judiciária,
a contar da data de sua emissão; ou
II
- em caso de desaparecimento do segurado por motivo de catástrofe, acidente ou
desastre, a contar da data da ocorrência, mediante prova hábil.
Parágrafo
único. Verificado o reaparecimento do segurado, o pagamento da pensão cessa
imediatamente, ficando os dependentes desobrigados da reposição dos valores
recebidos, salvo má-fé.
Art.
113. A pensão por morte, havendo mais de um pensionista, será rateada entre
todos, em partes iguais.
Parágrafo
único. Reverterá em favor dos demais dependentes a parte daquele cujo direito à
pensão cessar.
Art.
114. O pagamento da cota individual da pensão por morte cessa:
I -
pela morte do pensionista;
II
- para o pensionista menor de idade, pela emancipação ou ao completar vinte e
um anos, salvo se for inválido; ou
III
- para o pensionista inválido, pela cessação da invalidez, verificada em exame
médico-pericial a cargo da previdência social.
Parágrafo
único. Com a extinção da cota do último pensionista, a pensão por morte será
encerrada.
Art.
115. O dependente menor de idade que se invalidar antes de completar vinte e um
anos deverá ser submetido a exame médico-pericial, não se extinguindo a
respectiva cota se confirmada a invalidez.
Subseção
X
Do
Auxílio-reclusão
Art.
116. O auxílio-reclusão será devido, nas mesmas condições da pensão por morte,
aos dependentes do segurado recolhido à prisão que não receber remuneração da
empresa nem estiver em gozo de auxílio-doença, aposentadoria ou abono de
permanência em serviço, desde que o seu último salário-de-contribuição seja
inferior ou igual a R$ 360,00 (trezentos e sessenta reais).
§
1º É devido auxílio-reclusão aos dependentes do segurado quando não houver
salário-de-contribuição na data do seu efetivo recolhimento à prisão, desde que
mantida a qualidade de segurado.
§
2º O pedido de auxílio-reclusão deve ser instruído com certidão do efetivo
recolhimento do segurado à prisão, firmada pela autoridade competente.
§
3º Aplicam-se ao auxílio-reclusão as normas referentes à pensão por morte,
sendo necessária, no caso de qualificação de dependentes após a reclusão ou
detenção do segurado, a preexistência da dependência econômica.
§
4º A data de início do benefício será fixada na data do efetivo recolhimento do
segurado à prisão, se requerido até trinta dias depois desta, ou na data do
requerimento, se posterior.
Art.
117. O auxílio-reclusão será mantido enquanto o segurado permanecer detento ou
recluso.
§
1º O beneficiário deverá apresentar trimestralmente atestado de que o segurado
continua detido ou recluso, firmado pela autoridade competente.
§
2º No caso de fuga, o benefício será suspenso e, se houver recaptura do
segurado, será restabelecido a contar da data em que esta ocorrer, desde que
esteja ainda mantida a qualidade de segurado.
§
3º Se houver exercício de atividade dentro do período de fuga, o mesmo será
considerado para a verificação da perda ou não da qualidade de segurado.
Art.
118. Falecendo o segurado detido ou recluso, o auxílio-reclusão que estiver
sendo pago será automaticamente convertido em pensão por morte.
Parágrafo
único. Não havendo concessão de auxílio-reclusão, em razão de
salário-de-contribuição superior a R$ 360,00 (trezentos e sessenta reais), será
devida pensão por morte aos dependentes se o óbito do segurado tiver ocorrido
dentro do prazo previsto no inciso IV do artigo 13.
Art.
119. É vedada a concessão do auxílio-reclusão após a soltura do segurado.
Subseção
XI
Do
Abono Anual
Art.
120. Será devido abono anual (décimo terceiro salário ou gratificação natalina)
ao segurado e ao dependente que, durante o ano, recebeu auxílio-doença,
auxílio-acidente, aposentadoria, pensão por morte ou auxílio-reclusão.
Parágrafo
único. O abono anual será calculado, no que couber, da mesma forma que a
gratificação natalina dos trabalhadores, tendo por base o valor da renda mensal
do benefício do mês de dezembro de cada ano.
CAPÍTULO
III
DO
RECONHECIMENTO DA FILIAÇÃO
Seção
Única
Do
Reconhecimento do Tempo de Filiação
Art.
121. Reconhecimento de filiação é o direito do segurado de ter reconhecido, em
qualquer época, o tempo de exercício de atividade anteriormente abrangida pela
previdência social.
Subseção
I
Da
Indenização
Art.
122. O reconhecimento de filiação no período em que o exercício de atividade
remunerada não exigia filiação obrigatória à previdência social somente será
feito mediante indenização das contribuições relativas ao respectivo período,
conforme o disposto nos §§ 7º a 14 do artigo 216 e § 8º do artigo 239.
§
1º O valor a ser indenizado poderá ser objeto de parcelamento mediante
solicitação do segurado, de acordo com o disposto no artigo 244, observado o §
1º do artigo 128.
§
2º Para fins de concessão de benefício constante das alíneas a a e e h do
inciso I do artigo 25, não se admite o parcelamento de débito.
Art.
123. Para fins de concessão dos benefícios deste Regulamento, o tempo de
serviço prestado pelo trabalhador rural anteriormente à competência novembro de
1991 será reconhecido, desde que devidamente comprovado.
Parágrafo
único. Para fins de contagem recíproca, o tempo de serviço a que se refere o
caput somente será reconhecido mediante a indenização de que trata o § 13 do
artigo 216, observado o disposto no § 8º do artigo 239.
Subseção
II
Da
Retroação da Data do Início das Contribuições
Art.
124. Caso o segurado empresário, trabalhador autônomo ou a este equiparado
manifeste interesse em recolher contribuições relativas a período anterior à
sua inscrição, a retroação da data do início das contribuições será autorizada,
desde que comprovado o exercício de atividade remunerada no respectivo período,
observado o disposto nos §§ 7º a 14 do artigo 216 e no § 8º do artigo 239.
Parágrafo
único. O valor do débito poderá ser objeto de parcelamento mediante solicitação
do segurado junto ao setor de arrecadação e fiscalização do Instituto Nacional
do Seguro Social, observado o disposto no § 2º do artigo 122, no § 1º do artigo
128 e no artigo 244.
CAPÍTULO
IV
DA
CONTAGEM RECÍPROCA DE TEMPO DE CONTRIBUIÇÃO
Art.
125. Para efeito de contagem recíproca, hipótese em que os diferentes sistemas
de previdência social compensar-se-ão financeiramente, é assegurado:
I -
para fins dos benefícios previstos no Regime Geral de Previdência Social, o
cômputo do tempo de contribuição na administração pública; e
II
- para fins de emissão de certidão de tempo de contribuição, pelo Instituto
Nacional do Seguro Social, para utilização no serviço público, o cômputo do
tempo de contribuição na atividade privada, rural e urbana, observado o disposto
no parágrafo único do artigo 123, no § 13 do artigo 216 e no § 8º do artigo
239.
Art.
126. O segurado terá direito de computar, para fins de concessão dos benefícios
do Regime Geral de Previdência Social, o tempo de contribuição na administração
pública federal direta, autárquica e fundacional. (NR) (Redação dada ao caput
pelo Decreto nº 3.112, de 06.07.1999, DOU 07.07.1999)
Nota:
Assim dispunha o caput alterado:
"Art.
126. Observada a carência de trinta e seis contribuições mensais, o segurado
terá direito de computar, para fins de concessão dos benefícios do Regime Geral
de Previdência Social, o tempo de contribuição na administração pública federal
direta, autárquica e fundacional."
Parágrafo
único. Poderá ser contado o tempo de contribuição na administração pública
direta, autárquica e fundacional dos Estados, do Distrito Federal e dos
Municípios, desde que estes assegurem aos seus servidores, mediante legislação
própria, a contagem de tempo de contribuição em atividade vinculada ao Regime
Geral de Previdência Social.
Art.
127. O tempo de contribuição de que trata este Capítulo será contado de acordo
com a legislação pertinente, observadas as seguintes normas:
I -
não será admitida a contagem em dobro ou em outras condições especiais;
II
- é vedada a contagem de tempo de contribuição no serviço público com o de
contribuição na atividade privada, quando concomitantes;
III
- não será contado por um regime o tempo de contribuição utilizado para
concessão de aposentadoria por outro regime;
IV
- o tempo de contribuição anterior ou posterior à obrigatoriedade de filiação à
previdência social somente será contado mediante observância, quanto ao período
respectivo, do disposto nos artigos 122 e 124; e
V -
o tempo de contribuição do segurado trabalhador rural anterior à competência
novembro de 1991 será computado, desde que observado o disposto no parágrafo
único do artigo 123, no § 13 do artigo 216 e no § 8º do artigo 239.
Art.
128. A certidão de tempo de contribuição anterior ou posterior à filiação obrigatória
à previdência social somente será expedida mediante a observância do disposto
nos artigos 122 e 124.
§
1º A certidão de tempo de contribuição, para fins de averbação do tempo em
outros regimes de previdência, somente será expedida pelo Instituto Nacional do
Seguro Social após a comprovação da quitação de todos os valores devidos,
inclusive de eventuais parcelamentos de débito.
§
2º Se a soma dos tempos de contribuição ultrapassar trinta ou trinta e cinco
anos, no caso de segurado do sexo feminino ou masculino, respectivamente, o
excesso não será considerado para qualquer efeito.
§
3º Observado o disposto no § 6º do artigo 62, a certidão de tempo de
contribuição referente a período de atividade rural anterior à competência
novembro de 1991 somente será emitida mediante comprovação do recolhimento das
contribuições correspondentes ou indenização nos termos dos §§ 13 e 14 do
artigo 216, observado o disposto no § 8º do artigo 239.
Art.
129. O segurado em gozo de auxílio-acidente terá o benefício encerrado na data
da emissão da certidão de tempo de contribuição.
Art.
130. O tempo de contribuição para regime próprio de previdência social ou para
o Regime Geral de Previdência Social pode ser provado com certidão fornecida:
I -
pelo setor competente da administração federal, estadual, do Distrito Federal e
municipal, suas autarquias e fundações, relativamente ao tempo de contribuição
para o respectivo regime próprio de previdência social; ou
II
- pelo setor competente do Instituto Nacional do Seguro Social, relativamente
ao tempo de contribuição para o Regime Geral de Previdência Social, observadas
as seguintes disposições:
a)
a certidão deverá abranger o período integral de filiação à previdência social,
não se admitindo o seu fornecimento para períodos fracionados;
b)
em hipótese alguma será expedida certidão de tempo de contribuição se o mesmo
já tiver sido utilizado para efeito de concessão de qualquer aposentadoria, em
qualquer regime de previdência social; e
c)
o tempo de contribuição para o Regime Geral de Previdência Social relativo a
período concomitante com o de contribuição para regime próprio de previdência
social, mesmo após a expedição da certidão de tempo de contribuição, não será
considerado para qualquer efeito perante o Regime Geral de Previdência Social.
§
1º O setor competente do Instituto Nacional do Seguro Social deverá promover o
levantamento do tempo de contribuição para o Regime Geral de Previdência Social
à vista dos assentamentos internos ou das anotações na Carteira do Trabalho
e/ou na Carteira de Trabalho e Previdência Social, ou de outros meios de prova
admitidos em direito.
§
2º O setor competente do órgão federal, estadual, do Distrito Federal ou
municipal deverá promover o levantamento do tempo de contribuição para o respectivo
regime próprio de previdência social à vista dos assentamentos funcionais.
§
3º Após as providências de que tratam os §§ 1º e 2º, os setores competentes
deverão emitir certidão de tempo de contribuição, sem rasuras, constando
obrigatoriamente:
I -
órgão expedidor;
II
- nome do servidor e seu número de matrícula;
III
- período de contribuição, de data a data, compreendido na certidão;
IV
- fonte de informação;
V -
discriminação da freqüência durante o período abrangido pela certidão,
indicadas as várias alterações, tais como faltas, licenças, suspensões e outras
ocorrências;
VI
- soma do tempo líquido;
VII
- declaração expressa do servidor responsável pela certidão, indicando o tempo
líquido de efetiva contribuição em dias, ou anos, meses e dias;
VIII
- assinatura do responsável pela certidão, visada pelo dirigente do órgão
expedidor; e
IX
- indicação da lei que assegure, aos servidores do Estado, do Distrito Federal
ou do Município, aposentadorias por invalidez, idade, tempo de contribuição e
compulsória, e pensão por morte, com aproveitamento de tempo de contribuição
prestado em atividade vinculada ao Regime Geral de Previdência Social.
§
4º A certidão de tempo de contribuição deverá ser expedida em duas vias, das
quais a primeira será fornecida ao interessado, mediante recibo passado na
segunda via, implicando sua concordância quanto ao tempo certificado.
§
5º O Instituto Nacional do Seguro Social deverá efetuar, na Carteira de
Trabalho e Previdência Social, se o interessado a possuir, a anotação seguinte:
“Certifico
que nesta data foi fornecida ao portador desta, para os efeitos da Lei nº
8.213, de 24 de julho de 1991, certidão de tempo de contribuição, consignando o
tempo líquido de efetiva contribuição de ............. dias, correspondendo a
............... anos, ................ meses e ............... dias, abrangendo
o período de ............... a .............. .”
§
6º As anotações a que se refere o § 5º devem ser assinadas pelo servidor
responsável e conter o visto do dirigente do órgão competente.
§
7º Quando solicitado pelo segurado que exerce cargos constitucionalmente
acumuláveis, é permitida a emissão de certidão única com destinação do tempo de
contribuição para, no máximo, dois órgãos distintos.
§
8º Na situação do parágrafo anterior, a certidão de tempo de contribuição
deverá ser expedida em três vias, das quais a primeira e a segunda serão
fornecidas ao interessado, mediante recibo passado na terceira via, implicando
sua concordância quanto ao tempo certificado.
Art.
131. Concedido o benefício, caberá:
I -
ao Instituto Nacional do Seguro Social comunicar o fato ao órgão público
emitente da certidão, para as anotações nos registros funcionais e/ou na
segunda via da certidão de tempo de contribuição; e
II
- ao órgão público comunicar o fato ao Instituto Nacional do Seguro Social,
para efetuar os registros cabíveis.
Art.
132. O tempo de contribuição na administração pública federal, estadual, do
Distrito Federal ou municipal de que trata este Capítulo será considerado para
efeito do percentual de acréscimo previsto no inciso III do artigo 39.
Art.
133. O tempo de contribuição certificado na forma deste Capítulo produz, no
Instituto Nacional do Seguro Social e nos órgãos ou autarquias federais,
estaduais, do Distrito Federal ou municipais, todos os efeitos previstos na
respectiva legislação pertinente.
Art.
134. As aposentadorias e demais benefícios resultantes da contagem de tempo de
contribuição na forma deste Capítulo serão concedidos e pagos pelo regime a que
o interessado pertencer ao requerê-los e o seu valor será calculado na forma da
legislação pertinente.
Art.
135. A aposentadoria por tempo de contribuição, com contagem de tempo na forma
deste Capítulo, será concedida nos termos do § 7º do artigo 201 da
Constituição.
CAPÍTULO
V
DA
HABILITAÇÃO E DA REABILITAÇÃO PROFISSIONAL
Art.
136. A assistência (re)educativa e de (re)adaptação profissional, instituída
sob a denominação genérica de habilitação e reabilitação profissional, visa
proporcionar aos beneficiários, incapacitados parcial ou totalmente para o
trabalho, em caráter obrigatório, independentemente de carência, e às pessoas
portadoras de deficiência, os meios indicados para proporcionar o reingresso no
mercado de trabalho e no contexto em que vivem.
§
1º Cabe ao Instituto Nacional do Seguro Social promover a prestação de que
trata este artigo aos segurados, inclusive aposentados, e, de acordo com as
possibilidades administrativas, técnicas, financeiras e as condições locais do
órgão, aos seus dependentes, preferencialmente mediante a contratação de
serviços especializados.
§
2º As pessoas portadoras de deficiência serão atendidas mediante celebração de
convênio de cooperação técnico-financeira.
Art.
137. O processo de habilitação e de reabilitação profissional do beneficiário
será desenvolvido por meio das funções básicas de:
I -
avaliação e definição da capacidade laborativa residual;
II
- orientação e acompanhamento da programação profissional;
III
- articulação com a comunidade, com vistas ao reingresso no mercado de
trabalho; e
IV
- acompanhamento e pesquisa da fixação no mercado de trabalho.
§
1º A execução das funções de que trata o caput dar-se-á, preferencialmente,
mediante o trabalho de equipe multiprofissional especializada em medicina,
serviço social, psicologia, sociologia, fisioterapia, terapia ocupacional e
outras afins ao processo, sempre que possível na localidade do domicílio do
beneficiário, ressalvadas as situações excepcionais em que este terá direito à
reabilitação profissional fora dela.
§
2º Quando indispensáveis ao desenvolvimento do processo de reabilitação
profissional, o Instituto Nacional do Seguro Social fornecerá aos segurados,
inclusive aposentados, em caráter obrigatório, prótese e órtese, seu reparo ou
substituição, instrumentos de auxílio para locomoção, bem como equipamentos
necessários à habilitação e à reabilitação profissional, transporte urbano e
alimentação e, na medida das possibilidades do Instituto, aos seus dependentes.
§
3º No caso das pessoas portadoras de deficiência, a concessão dos recursos
materiais referidos no parágrafo anterior ficará condicionada à celebração de
convênio de cooperação técnico-financeira.
§
4º O Instituto Nacional do Seguro Social não reembolsará as despesas realizadas
com a aquisição de órtese ou prótese e outros recursos materiais não prescritos
ou não autorizados por suas unidades de reabilitação profissional.
Art.
138. Cabe à unidade de reabilitação profissional comunicar à perícia médica a
ocorrência de que trata o § 2º do artigo 337.
Art.
139. A programação profissional será desenvolvida mediante cursos e/ou
treinamentos, na comunidade, por meio de contratos, acordos e convênios com
instituições e empresas públicas ou privadas, na forma do artigo 317.
§
1º O treinamento do reabilitando, quando realizado em empresa, não estabelece
qualquer vínculo empregatício ou funcional entre o reabilitando e a empresa,
bem como entre estes e o Instituto Nacional do Seguro Social.
§
2º Compete ao reabilitando, além de acatar e cumprir as normas estabelecidas
nos contratos, acordos ou convênios, pautar-se no regulamento daquelas
organizações.
Art.
140. Concluído o processo de reabilitação profissional, o Instituto Nacional do
Seguro Social emitirá certificado individual indicando a função para a qual o
reabilitando foi capacitado profissionalmente, sem prejuízo do exercício de
outra para a qual se julgue capacitado.
§
1º Não constitui obrigação da previdência social a manutenção do segurado no
mesmo emprego ou a sua colocação em outro para o qual foi reabilitado, cessando
o processo de reabilitação profissional com a emissão do certificado a que se
refere o caput.
§
2º Cabe à previdência social a articulação com a comunidade, com vistas ao
levantamento da oferta do mercado de trabalho, ao direcionamento da programação
profissional e à possibilidade de reingresso do reabilitando no mercado formal.
§
3º O acompanhamento e a pesquisa de que trata o inciso IV do artigo 137 é
obrigatório e tem como finalidade a comprovação da efetividade do processo de
reabilitação profissional.
Art.
141. A empresa com cem ou mais empregados está obrigada a preencher de dois por
cento a cinco por cento de seus cargos com beneficiários reabilitados ou
pessoas portadoras de deficiência, habilitadas, na seguinte proporção:
I -
até duzentos empregados, dois por cento;
II
- de duzentos e um a quinhentos empregados, três por cento;
III
- de quinhentos e um a mil empregados, quatro por cento; ou
IV
- mais de mil empregados, cinco por cento.
§
1º A dispensa de empregado na condição estabelecida neste artigo, quando se
tratar de contrato por tempo superior a noventa dias e a imotivada, no contrato
por prazo indeterminado, somente poderá ocorrer após a contratação de
substituto em condições semelhantes.
§
2º Cabe ao Ministério da Previdência e Assistência Social estabelecer
sistemática de fiscalização, avaliação e controle das empresas, para o fiel
cumprimento do disposto neste artigo, gerando estatísticas sobre o total de
empregados e vagas preenchidas para acompanhamento por parte das unidades de
reabilitação profissional e dos sindicatos e entidades representativas de
categorias, quando solicitado.
CAPÍTULO
VI
DA
JUSTIFICAÇÃO ADMINISTRATIVA
Art.
142. A justificação administrativa constitui recurso utilizado para suprir a
falta ou insuficiência de documento ou produzir prova de fato ou circunstância
de interesse dos beneficiários, perante a previdência social.
§
1º Não será admitida a justificação administrativa quando o fato a comprovar
exigir registro público de casamento, de idade ou de óbito, ou de qualquer ato
jurídico para o qual a lei prescreva forma especial.
§
2º O processo de justificação administrativa é parte de processo antecedente,
vedada sua tramitação na condição de processo autônomo.
Art.
143. A justificação administrativa ou judicial, no caso de prova exigida pelo
artigo 62, dependência econômica, identidade e de relação de parentesco,
somente produzirá efeito quando baseada em início de prova material, não sendo
admitida prova exclusivamente testemunhal.
§ 1º
No caso de prova exigida pelo artigo 62 é dispensado o início de prova material
quando houver ocorrência de motivo de força maior ou caso fortuito.
§
2º Caracteriza motivo de força maior ou caso fortuito a verificação de
ocorrência notória, tais como incêndio, inundação ou desmoronamento, que tenha
atingido a empresa na qual o segurado alegue ter trabalhado, devendo ser
comprovada mediante registro da ocorrência policial feito em época própria ou
apresentação de documentos contemporâneos dos fatos, e verificada a correlação
entre a atividade da empresa e a profissão do segurado.
§
3º Se a empresa não estiver mais em atividade, deverá o interessado juntar
prova oficial de sua existência no período que pretende comprovar.
§
4º No caso de empregado doméstico, trabalhador autônomo ou a este equiparado,
após a homologação do processo, este deverá ser encaminhado ao setor competente
de arrecadação para levantamento e cobrança do crédito.
Art.
144. A homologação da justificação judicial processada com base em prova
exclusivamente testemunhal dispensa a justificação administrativa, se
complementada com início razoável de prova material.
Art.
145. Para o processamento de justificação administrativa, o interessado deverá
apresentar requerimento expondo, clara e minuciosamente, os pontos que pretende
justificar, indicando testemunhas idôneas, em número não inferior a três nem
superior a seis, cujos depoimentos possam levar à convicção da veracidade do
que se pretende comprovar.
Parágrafo
único. As testemunhas, no dia e hora marcados, serão inquiridas a respeito dos
pontos que forem objeto da justificação, indo o processo concluso, a seguir, à
autoridade que houver designado o processante, a quem competirá homologar ou
não a justificação realizada.
Art.
146. Não podem ser testemunhas:
I -
os loucos de todo o gênero;
II
- os cegos e surdos, quando a ciência do fato, que se quer provar, dependa dos
sentidos, que lhes faltam;
III
- os menores de dezesseis anos; e
IV
- o ascendente, descendente ou colateral, até o terceiro grau, por
consangüinidade ou afinidade.
Art.
147. Não caberá recurso da decisão da autoridade competente do Instituto
Nacional do Seguro Social que considerar eficaz ou ineficaz a justificação
administrativa.
Art.
148. A justificação administrativa será avaliada globalmente quanto à forma e
ao mérito, valendo perante o Instituto Nacional do Seguro Social para os fins
especificamente visados, caso considerada eficaz.
Art.
149. A justificação administrativa será processada sem ônus para o interessado
e nos termos das instruções do Instituto Nacional do Seguro Social.
Art.
150. Aos autores de declarações falsas, prestadas em justificações processadas
perante a previdência social, serão aplicadas as penas previstas no artigo 299
do Código Penal.
Art.
151. Somente será admitido o processamento de justificação administrativa na
hipótese de ficar evidenciada a inexistência de outro meio capaz de configurar
a verdade do fato alegado, e o início de prova material apresentado levar à
convicção do que se pretende comprovar.
CAPÍTULO
VII
DAS
DISPOSIÇÕES DIVERSAS RELATIVAS ÀS PRESTAÇÕES DO REGIME GERAL DE PREVIDÊNCIA
SOCIAL
Art.
152. Nenhum benefício ou serviço da previdência social poderá ser criado,
majorado ou estendido, sem a correspondente fonte de custeio total.
Art.
153. O benefício concedido a segurado ou dependente não pode ser objeto de
penhora, arresto ou seqüestro, sendo nula de pleno direito a sua venda ou
cessão, ou a constituição de qualquer ônus sobre ele, bem como a outorga de
poderes irrevogáveis ou em causa própria para seu recebimento, ressalvado o
disposto no artigo 154.
Art.
154. O Instituto Nacional do Seguro Social pode descontar da renda mensal do
benefício:
I -
contribuições devidas pelo segurado à previdência social;
II
- pagamentos de benefícios além do devido, observado o disposto nos §§ 2º ao
5º;
III
- imposto de renda na fonte;
IV
- alimentos decorrentes de sentença judicial; e
V -
mensalidades de associações e demais entidades de aposentados legalmente
reconhecidas, desde que autorizadas por seus filiados, observado o disposto no
§ 1º.
§
1º O desconto a que se refere o inciso V do caput ficará na dependência da
conveniência administrativa do setor de benefícios do Instituto Nacional do
Seguro Social.
§
2º A restituição de importância recebida indevidamente por beneficiário da
previdência social, nos casos comprovados de dolo, fraude ou má-fé, deverá ser
feita de uma só vez, atualizada nos moldes do artigo 175, independentemente de
outras penalidades legais.
§
3º Caso o débito seja originário de erro da previdência social, o segurado,
usufruindo de benefício regularmente concedido, poderá devolver o valor de
forma parcelada, atualizado nos moldes do artigo 175, devendo cada parcela
corresponder, no máximo, a trinta por cento do valor do benefício em
manutenção, e ser descontado em número de meses necessários à liquidação do
débito.
§
4º Se o débito for originário de erro da previdência social e o segurado não
usufruir de benefício, o valor deverá ser devolvido, com a correção de que
trata o parágrafo anterior, da seguinte forma:
I -
no caso de empregado, com a observância do disposto no artigo 365; e
II
- no caso dos demais beneficiários, será observado:
a)
se superior a cinco vezes o valor do benefício suspenso ou cessado, no prazo de
sessenta dias, contados da notificação para fazê-lo, sob pena de inscrição em
Dívida Ativa; e
b)
se inferior a cinco vezes o valor do benefício suspenso ou cessado, no prazo de
trinta dias, contados da notificação para fazê-lo, sob pena de inscrição em
Dívida Ativa.
§
5º No caso de revisão de benefícios em que resultar valor superior ao que vinha
sendo pago, em razão de erro da previdência social, o valor resultante da
diferença verificada entre o pago e o devido será objeto de atualização nos
mesmos moldes do artigo 175.
Art.
155. Será fornecido ao beneficiário demonstrativo minucioso das importâncias
pagas, discriminando-se o valor da mensalidade, as diferenças eventualmente
pagas, com o período a que se referem, e os descontos efetuados.
Art.
156. O benefício será pago diretamente ao beneficiário, salvo em caso de
ausência, moléstia contagiosa ou impossibilidade de locomoção, quando será pago
a procurador, cujo mandato não terá prazo superior a doze meses, podendo ser
renovado ou revalidado pelos setores de benefícios do Instituto Nacional do
Seguro Social.
Parágrafo
único. O procurador do beneficiário deverá firmar, perante o Instituto Nacional
do Seguro Social, termo de responsabilidade mediante o qual se comprometa a
comunicar ao Instituto qualquer evento que possa anular a procuração,
principalmente o óbito do outorgante, sob pena de incorrer nas sanções
criminais cabíveis.
Art.
157. O Instituto Nacional do Seguro Social apenas poderá negar-se a aceitar
procuração quando se manifestar indício de inidoneidade do documento ou do
mandatário, sem prejuízo, no entanto, das providências que se fizerem
necessárias.
Art.
158. Na constituição de procuradores, observar-se-á subsidiariamente o disposto
no Código Civil.
Art.
159. Somente será aceita a constituição de procurador com mais de uma
procuração, ou procurações coletivas, nos casos de representantes credenciados
de leprosários, sanatórios, asilos e outros estabelecimentos congêneres, nos
casos de parentes de primeiro grau, ou, em outros casos, a critério do
Instituto Nacional do Seguro Social.
Art.
160. Não poderão ser procuradores:
I -
os servidores públicos civis ativos e os militares ativos, salvo se parentes
até o segundo grau; e
II
- os incapazes para os atos da vida civil, ressalvado o disposto no artigo
1.298 do Código Civil.
Parágrafo
único. Podem outorgar procuração as pessoas maiores ou emancipadas, no gozo dos
direitos civis.
Art.
161. O serviço social constitui atividade auxiliar do seguro social e visa
prestar ao beneficiário orientação e apoio no que concerne à solução dos
problemas pessoais e familiares e à melhoria da sua inter-relação com a
previdência social, para a solução de questões referentes a benefícios, bem
como, quando necessário, à obtenção de outros recursos sociais da comunidade.
Art.
162. O benefício devido ao segurado ou dependente civilmente incapaz será pago
ao cônjuge, pai, mãe, tutor ou curador, admitindo-se, na sua falta e por
período não superior a seis meses, o pagamento a herdeiro necessário, mediante
termo de compromisso firmado no ato do recebimento.
Art.
163. O segurado menor poderá firmar recibo de benefício, independentemente da
presença dos pais ou do tutor.
Art.
164. A impressão digital do beneficiário incapaz de assinar, aposta na presença
de servidor da previdência social ou representante desta, vale como assinatura
para quitação de pagamento de benefício.
Art.
165. O valor não recebido em vida pelo segurado somente será pago aos seus
dependentes habilitados à pensão por morte ou, na falta deles, aos seus
sucessores na forma da lei civil, independentemente de inventário ou
arrolamento.
Art.
166. Os benefícios poderão ser pagos mediante depósito em conta corrente,
exceto o pagamento de auxílio-doença e os pagamentos a procurador.
§
1º Na hipótese da falta de movimentação a débito em conta corrente cujos
depósitos sejam decorrentes exclusivamente de pagamento de benefícios, por
prazo superior a sessenta dias, os valores dos benefícios remanescentes serão
creditados em conta especial, à ordem do Instituto Nacional do Seguro Social,
com a identificação de sua origem.
§
2º Os benefícios poderão ser pagos, ainda, mediante qualquer outra autorização
de pagamento definida pelo Instituto Nacional do Seguro Social.
Art.
167. Salvo no caso de direito adquirido, não é permitido o recebimento conjunto
dos seguintes benefícios da previdência social, inclusive quando decorrentes de
acidente do trabalho:
I -
aposentadoria com auxílio-doença;
II
- mais de uma aposentadoria;
III
- aposentadoria com abono de permanência em serviço;
IV
- salário-maternidade com auxílio-doença;
V -
mais de um auxílio-acidente;
VI
- mais de uma pensão deixada por cônjuge;
VII
- mais de uma pensão deixada por companheiro ou companheira;
VIII
- mais de uma pensão deixada por cônjuge e companheiro ou companheira; e
IX
- auxílio-acidente com qualquer aposentadoria.
§
1º No caso dos incisos VI, VII e VIII é facultado ao dependente optar pela
pensão mais vantajosa.
§
2º É vedado o recebimento conjunto do seguro-desemprego com qualquer benefício
de prestação continuada da previdência social, exceto pensão por morte,
auxílio-reclusão, auxílio-acidente, auxílio-suplementar ou abono de permanência
em serviço.
§
3º É permitida a acumulação dos benefícios previstos neste Regulamento com o
benefício de que trata a Lei nº 7.070, de 20 de dezembro de 1982, que não
poderá ser reduzido em razão de eventual aquisição de capacidade laborativa ou
de redução de incapacidade para o trabalho ocorrida após a sua concessão.
Art.
168. Salvo nos casos de aposentadoria por invalidez, o retorno do aposentado à
atividade não prejudica o recebimento de sua aposentadoria, que será mantida no
seu valor integral.
Art.
169. Os pagamentos dos benefícios de prestação continuada não poderão ser
antecipados.
Art.
170. Os exames médicos para concessão e manutenção de benefícios devem ser,
preferencialmente, atribuídos a médicos especializados em perícia para
verificação de incapacidade, garantida, quando forem realizados por
credenciados, a revisão do laudo por médico do Instituto Nacional do Seguro
Social com aquele requisito, cuja conclusão prevalece.
Art.
171. Quando o segurado ou dependente deslocar-se por determinação do Instituto
Nacional do Seguro Social para submeter-se a exame médico-pericial ou a
processo de reabilitação profissional em localidade diversa da de sua
residência, deverá a instituição custear o seu transporte e pagar-lhe diária no
valor de R$ 24,57 (vinte e quatro reais e cinqüenta e sete centavos), ou
promover sua hospedagem mediante contratação de serviços de hotéis, pensões ou
similares.
§
1º Caso o beneficiário, a critério do Instituto Nacional do Seguro Social,
necessite de acompanhante, a viagem deste poderá ser autorizada, aplicando-se o
disposto neste artigo.
§
2º Quando o beneficiário ficar hospedado em hotéis, pensões ou similares
contratados ou conveniados pelo Instituto Nacional do Seguro Social, não caberá
pagamento de diária.
Art.
172. Fica o Instituto Nacional do Seguro Social obrigado a emitir e a enviar
aos beneficiários aviso de concessão de benefício, além da memória de cálculo
do valor dos benefícios concedidos.
Art.
173. O segurado em gozo de aposentadoria por tempo de contribuição, especial ou
por idade, que voltar a exercer atividade abrangida pelo Regime Geral de
Previdência Social, somente terá direito ao salário-família e à reabilitação
profissional, quando empregado ou trabalhador avulso, observado o disposto no
artigo 168 e, nos casos de aposentadoria especial, a proibição de que trata o
parágrafo único do artigo 69.
Art.
174. O primeiro pagamento da renda mensal do benefício será efetuado em até
quarenta e cinco dias após a data da apresentação, pelo segurado, da
documentação necessária à sua concessão.
Parágrafo
único. O prazo fixado no caput fica prejudicado nos casos de justificação
administrativa ou outras providências a cargo do segurado, que demandem a sua
dilatação, iniciando-se essa contagem a partir da data da conclusão das mesmas.
Art.
175. O pagamento das parcelas relativas a benefícios efetuados com atraso por
responsabilidade da previdência social será atualizado de acordo com índice
definido com essa finalidade, apurado no período compreendido entre o mês em
que deveria ter sido pago e o mês do efetivo pagamento.
Art.
176. A apresentação de documentação incompleta não pode constituir motivo de
recusa de requerimento de benefício, ficando a análise do processo na
dependência do cumprimento de exigência.
Art.
177. Na hipótese do artigo anterior, o benefício será indeferido, caso o
segurado não cumpra a exigência no prazo de sessenta dias.
Art.
178. O pagamento mensal de benefícios sujeitar-se-á a expressa autorização do
órgão local de atendimento, da Gerência Regional, da Direção Estadual ou da
Presidência do Instituto Nacional do Seguro Social, de acordo com os valores a
serem estabelecidos periodicamente pelo Ministério da Previdência e Assistência
Social.
Art.
179. O Ministério da Previdência e Assistência Social e o Instituto Nacional do
Seguro Social manterão programa permanente de revisão da concessão e da
manutenção dos benefícios da previdência social, a fim de apurar
irregularidades e falhas existentes.
§
1º Havendo indício de irregularidade na concessão ou na manutenção de
benefício, a previdência social notificará o beneficiário para apresentar
defesa, provas ou documentos de que dispuser, no prazo de trinta dias.
§
2º A notificação a que se refere o parágrafo anterior far-se-á por via postal
com aviso de recebimento e, não comparecendo o beneficiário nem apresentando
defesa, será suspenso o benefício, com notificação ao beneficiário por edital
resumido publicado uma vez em jornal de circulação na localidade.
§
3º Decorrido o prazo concedido pela notificação postal ou pelo edital, sem que
tenha havido resposta, ou caso seja considerada pela previdência social como
insuficiente ou improcedente a defesa apresentada, o benefício será cancelado,
dando-se conhecimento da decisão ao beneficiário.
Art.
180. A perda da qualidade de segurado importa em caducidade dos direitos
inerentes a essa qualidade.
§
1º A perda da qualidade de segurado não prejudica o direito à aposentadoria
para cuja concessão tenham sido preenchidos todos os requisitos, segundo a
legislação em vigor à época em que estes requisitos foram atendidos.
§
2º Não será concedida pensão por morte aos dependentes do segurado que falecer
após a perda desta qualidade, nos termos dos artigos 13 a 15, salvo se
preenchidos os requisitos para obtenção de aposentadoria na forma do parágrafo
anterior, observado o disposto no artigo 105.
§
3º No cálculo da aposentadoria de que trata o § 1º, será observado o disposto
no § 9º do artigo 32 e no artigo 52.
Art.
181. Todo e qualquer benefício concedido pelo Instituto Nacional do Seguro
Social, ainda que à conta do Tesouro Nacional, submete-se ao limite a que se
refere o § 5º do artigo 214.
Parágrafo
único. Aos beneficiários de que trata o artigo 150 da Lei nº 8.213, de 1991,
aplicam-se as disposições previstas neste Regulamento, vedada a adoção de
critérios diferenciados para a concessão de benefícios.
CAPÍTULO
VIII
DAS
DISPOSIÇÕES TRANSITÓRIAS RELATIVAS ÀS PRESTAÇÕES DO REGIME GERAL DE PREVIDÊNCIA
SOCIAL
Art.
182. A carência das aposentadorias por idade, tempo de contribuição e especial
para os segurados inscritos na previdência social urbana até 24 de julho de
1991, bem como para os trabalhadores e empregadores rurais amparados pela
previdência social rural, obedecerá à seguinte tabela, levando-se em conta o
ano em que o segurado implementou todas as condições necessárias à obtenção do
benefício:
ANO
DE MESES
DE CONTRIBUIÇÃO
IMPLEMENTAÇÃO
DAS EXIGIDOS
CONDIÇÕES
1998 102 meses
1999 108 meses
2000 114 meses
2001 120 meses
2002 126 meses
2003 132 meses
2004 138 meses
2005 144 meses
2006 150 meses
2007 156 meses
2008 162 meses
2009 168 meses
2010 174 meses
2011 180 meses
Art.
183. O trabalhador rural ora enquadrado como segurado obrigatório do Regime
Geral de Previdência Social, na forma da alínea a do inciso I, ou no inciso IV ou
VII do caput do artigo 9º, pode requerer a aposentadoria por idade, no valor de
um salário mínimo, durante quinze anos a partir de 25 de julho de 1991, desde
que comprove o exercício de atividade rural, ainda que de forma descontínua, no
período imediatamente anterior ao requerimento do benefício, em número de meses
idêntico à carência do referido benefício.
Art.
184. O segurado que recebe aposentadoria por idade, tempo de contribuição ou
especial do Regime Geral de Previdência Social que permaneceu ou retornou à
atividade e que vinha contribuindo até 14 de abril de 1994, véspera da vigência
da Lei nº 8.870, de 15 de abril de 1994, receberá o pecúlio, em pagamento
único, quando do desligamento da atividade que vinha exercendo.
§
1º O pecúlio de que trata este artigo consistirá em pagamento único de valor
correspondente à soma das importâncias relativas às contribuições do segurado,
remuneradas de acordo com o índice de remuneração básica dos depósitos de
poupança com data de aniversário no dia primeiro.
§
2º O disposto no parágrafo anterior aplica-se a contar de 25 de julho de 1991,
data da vigência da Lei nº 8.213, de 1991, observada, com relação às
contribuições anteriores, a legislação vigente à época do seu recolhimento.
Art.
185. Serão mantidos, de acordo com a respectiva legislação específica, as
prestações e o seu financiamento, referentes aos benefícios de ferroviário
servidor público ou autárquico federal ou em regime especial que não optou pelo
regime da Consolidação das Leis do Trabalho, na forma da Lei nº 6.184, de 11 de
dezembro de 1974, bem como de seus dependentes.
Art.
186. Até que seja elaborada a lista de doenças mencionadas no inciso III do
artigo 30, independe de carência a concessão de auxílio-doença e aposentadoria
por invalidez ao segurado que, após filiar-se ao Regime Geral de Previdência
Social, for acometido de tuberculose ativa, hanseníase, alienação mental,
neoplasia maligna, cegueira, paralisia irreversível e incapacitante,
cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante,
nefropatia grave, estado avançado de doença de Paget (osteíte deformante),
síndrome da deficiência imunológica adquirida, ou contaminação por radiação,
com base em conclusão da medicina especializada.
Art.
187. É assegurada a concessão de aposentadoria, a qualquer tempo, nas condições
previstas na legislação anterior à Emenda Constitucional nº 20, de 1998, ao
segurado do Regime Geral de Previdência Social que, até 16 de dezembro de 1998,
tenha cumprido os requisitos para obtê-la.
Parágrafo
único. Quando da concessão de aposentadoria nos termos do caput, o tempo de
serviço será considerado até 16 de dezembro de 1998, e a renda mensal inicial
será calculada com base nos trinta e seis últimos salários-de-contribuição
anteriores àquela data, reajustada pelos mesmos índices aplicados aos
benefícios, até a data da entrada do requerimento, não sendo devido qualquer
pagamento relativamente a período anterior a esta data, observado, quando
couber, o disposto no § 9º do artigo 32 e nos §§ 3º e 4º do artigo 56.
Art.
188. Ressalvado o direito de opção pela aposentadoria nos moldes estabelecidos
nos artigos 56 a 63, o segurado filiado ao Regime Geral de Previdência Social
até 16 de dezembro de 1998, cumprida a carência exigida, terá direito a
aposentadoria, com renda mensal equivalente a cem por cento do
salário-de-benefício, quando, cumulativamente:
I -
contar cinqüenta e três anos ou mais de idade, se homem, e quarenta e oito anos
ou mais de idade, se mulher; e
II
- contar tempo de contribuição igual, no mínimo, à soma de:
a)
trinta e cinco anos, se homem, e trinta anos, se mulher; e
b)
um período adicional de contribuição equivalente a, no mínimo, vinte por cento
do tempo que, em 16 de dezembro de 1998, faltava para atingir o limite de tempo
constante da alínea anterior.
§
1º O segurado de que trata este artigo terá direito a aposentadoria com valores
proporcionais ao tempo de contribuição, quando:
I -
contar cinqüenta e três anos de idade ou mais, se homem, e quarenta e oito anos
ou mais de idade, se mulher; e
II
- contar tempo de contribuição igual, no mínimo, à soma de:
a)
trinta anos, se homem, e vinte e cinco anos, se mulher; e
b)
um período adicional de contribuição equivalente a, no mínimo, quarenta por
cento do tempo que, em 16 de dezembro de 1998, faltava para atingir o limite de
tempo constante da alínea anterior.
§
2º O valor da renda mensal da aposentadoria proporcional será equivalente a
setenta por cento do valor da aposentadoria a que se refere o caput, acrescido
de cinco por cento por ano de contribuição que supere a soma a que se refere o
inciso II do parágrafo anterior, até o limite de cem por cento.
§
3º O segurado que, até 16 de dezembro de 1998, tenha cumprido os requisitos
para obter a aposentadoria proporcional somente fará jus ao acréscimo de cinco
por cento a que se refere o parágrafo anterior se cumprir o requisito previsto
no inciso I do § 1º, observado o disposto no artigo 187 ou a opção por
aposentar-se na forma dos artigos 56 a 63.
§
4º O professor que, até 16 de dezembro de 1998, tenha exercido atividade de
magistério, em qualquer nível, e que opte por se aposentar na forma do disposto
no caput, terá o tempo de serviço exercido até aquela data contado com o
acréscimo de dezessete por cento, se homem, e de vinte por cento, se mulher,
desde que se aposente, exclusivamente, com tempo de efetivo exercício de
atividade de magistério, sem prejuízo do direito à aposentadoria na forma do §
1º do artigo 56.
Art.
189. Os benefícios de legislação especial pagos pela previdência social à conta
do Tesouro Nacional e de ex-combatentes, iniciados até 16 de dezembro de 1998,
serão reajustados com base nos mesmos índices aplicáveis aos benefícios de
prestação continuada da previdência social.
Art.
190. A partir de 14 de outubro de 1996, não serão mais devidos os benefícios de
legislação específica do jornalista profissional, do jogador profissional de
futebol e do telefonista.
Parágrafo
único. A aposentadoria especial do aeronauta nos moldes do Decreto-lei nº 158,
de 10 de fevereiro de 1967, está extinta a partir de 16 de dezembro de 1998,
passando a ser devida ao aeronauta os benefícios deste Regulamento.
Art.
191. É vedada a inclusão em regime próprio de previdência social do servidor de
que tratam as alíneas i, l e m do inciso I do caput do artigo 9º, sendo
automática sua filiação ao Regime Geral de Previdência Social a partir de 16 de
dezembro de 1998.
Art.
192. Aos menores de dezesseis anos filiados ao Regime Geral de Previdência
Social até 16 de dezembro de 1998 são assegurados todos os direitos
previdenciários.
Art.
193. O Instituto Nacional do Seguro Social deverá rever:
I -
as aposentadorias concedidas no período de 29 de abril de 1995 até a data da
publicação deste Regulamento, com conversão de tempo de atividade sob condições
especiais em tempo de atividade comum, considerando-se a legislação vigente
quando do
cumprimento
dos requisitos necessários à concessão das referidas aposentadorias; e
II
- as aposentadorias por tempo de serviço e especial e as certidões de tempo de
serviço com cômputo de tempo de serviço rural concedidas ou emitidas a partir
de 24 de julho de 1991 até a data da publicação deste Regulamento.
LIVRO
III
DO
CUSTEIO DA SEGURIDADE SOCIAL
TÍTULO
I
DO
FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL
CAPÍTULO
I
INTRODUÇÃO
Art.
194. A seguridade social é financiada por toda a sociedade, de forma direta e
indireta, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados,
do Distrito Federal, dos Municípios e de contribuições sociais.
Art.
195. No âmbito federal, o orçamento da seguridade social é composto de receitas
provenientes:
I -
da União;
II
- das contribuições sociais; e
III
- de outras fontes.
Parágrafo
único. Constituem contribuições sociais:
I -
as das empresas, incidentes sobre a remuneração paga, devida ou creditada aos
segurados e demais pessoas físicas a seu serviço, mesmo sem vínculo
empregatício;
II
- as dos empregadores domésticos, incidentes sobre o salário-de-contribuição
dos empregados domésticos a seu serviço;
III
- as dos trabalhadores, incidentes sobre seu salário-de-contribuição;
IV
- as das associações desportivas que mantêm equipe de futebol profissional,
incidentes sobre a receita bruta decorrente dos espetáculos desportivos de que
participem em todo território nacional em qualquer modalidade desportiva,
inclusive jogos internacionais, e de qualquer forma de patrocínio,
licenciamento de uso de marcas e símbolos, publicidade, propaganda e
transmissão de espetáculos desportivos;
V -
as incidentes sobre a receita bruta proveniente da comercialização da produção
rural;
VI
- as das empresas, incidentes sobre a receita ou o faturamento e o lucro; e
VII
- as incidentes sobre a receita de concursos de prognósticos.
CAPÍTULO
II
DA
CONTRIBUIÇÃO DA UNIÃO
Art.
196. A contribuição da União é constituída de recursos adicionais do Orçamento
Fiscal, fixados obrigatoriamente na Lei Orçamentária anual.
Parágrafo
único. A União é responsável pela cobertura de eventuais insuficiências
financeiras da seguridade social, quando decorrentes do pagamento de benefícios
de prestação continuada da previdência social, na forma da Lei Orçamentária
anual.
Art.
197. Para pagamento dos encargos previdenciários da União poderão contribuir os
recursos da seguridade social referidos no inciso VI do parágrafo único do
artigo 195, na forma da Lei Orçamentária anual, assegurada a destinação de
recursos para as ações de saúde e assistência social.
CAPÍTULO
III
DA
CONTRIBUIÇÃO DO SEGURADO
Seção
I
Da
Contribuição do Segurado Empregado, Empregado Doméstico e Trabalhador Avulso
Art.
198. A contribuição do segurado empregado, inclusive o doméstico, e do
trabalhador avulso é calculada mediante a aplicação da correspondente alíquota,
de forma não cumulativa, sobre o seu salário-de-contribuição mensal, observado o
disposto no artigo 214, de acordo com a seguinte tabela:
SALÁRIOS-DE-CONTRIBUIÇÃO ALÍQUOTAS
até
R$ 360,00
8,0 %
de
R$ 360,01 até R$ 600,00 9,0 %
de
R$ 600,01 até R$ 1.200,00 11,0 %
Nota:
Valores vigentes a partir de 17 de junho de 1999, conforme a Portaria
Interministerial MF/MPAS nº 5.326, de 16.06.1999, DOU 17.06.1999:
SALÁRIO-DE-CONTRIBUIÇÃO ALÍQUOTA ALÍQUOTA
(R$) PARA FINS DE PARA DETERMINAÇÃO
RECOLHIMENTO DA BASE DE
AO
INSS (%) CÁLCULO DO IRRF (%)
até
376,60 7,65 8,00
de
376,61 até 408,00
8,65 9,00
de
408,01 até 627,66
9,00 9,00
de
627,67 até 1.255,32 11,00 11,00
OBS:
A alíquota é reduzida apenas para salários e remunerações até três salários
mínimos, em função do disposto no inciso II do art. 17 da Lei nº 9.311, de
1996.
Seção
II
Da
Contribuição do Segurado Empresário, Facultativo e Trabalhador Autônomo
Art.
199. A alíquota de contribuição do segurado empresário, facultativo,
trabalhador autônomo ou a este equiparado, aplicada sobre o respectivo
salário-de-contribuição, definido no inciso III do caput do artigo 214, é de
vinte por cento, observado o disposto nos §§ 3º e 4º do artigo 11 e o limite a
que se refere o § 5º do artigo 214.
Seção
III
Da
Contribuição do Produtor Rural Pessoa Física e do Segurado Especial
Art.
200. A partir de 11 de dezembro de 1997, a contribuição do produtor rural
pessoa física e do segurado especial referidos, respectivamente, na alínea a do
inciso V e no inciso VII do caput do artigo 9º, incidente sobre a receita bruta
da comercialização da produção rural, é de:
I -
dois por cento para a seguridade social; e
II
- zero vírgula um por cento para o financiamento dos benefícios concedidos em
razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos
ambientais do trabalho.
§
1º As contribuições de que tratam os incisos I e II do caput, devidas pelo
produtor rural pessoa física de que trata a alínea a do inciso V do caput do
artigo 9º, substituem as contribuições previstas no inciso I do caput do artigo
201 e no artigo 202.
§
2º O segurado especial referido neste artigo, além da contribuição obrigatória
de que tratam os incisos I e II do caput, poderá contribuir, facultativamente,
na forma do artigo 199, na condição de contribuinte individual.
§
3º O produtor rural pessoa física de que trata a alínea a do inciso V do caput
do artigo 9º contribui, também, obrigatoriamente, na forma do artigo 199,
observando ainda o disposto nas alíneas a e b do inciso I do artigo 216.
§
4º Considera-se receita bruta o valor recebido ou creditado pela
comercialização da produção, assim entendida a operação de venda ou
consignação.
§
5º Integram a produção, para os efeitos dos incisos I e II do caput, os
produtos de origem animal ou vegetal, em estado natural ou submetidos a
processos de beneficiamento ou industrialização rudimentar, assim
compreendidos, entre outros, os processos de lavagem, limpeza, descaroçamento,
pilagem, descascamento, lenhamento, pasteurização, resfriamento, secagem,
socagem, fermentação, embalagem, cristalização, fundição, carvoejamento,
cozimento, destilação, moagem e torrefação, bem como os subprodutos e os
resíduos obtidos através desses processos.
§
6º Não integra a base de cálculo da contribuição de que trata este artigo:
I -
o produto vegetal destinado ao plantio e reflorestamento;
II
- o produto vegetal vendido por pessoa ou entidade que, registrada no
Ministério da Agricultura e do Abastecimento, se dedique ao comércio de
sementes e mudas no País;
III
- o produto animal destinado à reprodução ou criação pecuária ou granjeira; e
IV
- o produto animal utilizado como cobaia para fins de pesquisas científicas no
País.
§
7º A contribuição de que trata este artigo será recolhida:
I -
pela empresa adquirente, consumidora ou consignatária ou a cooperativa, que
ficam sub-rogadas no cumprimento das obrigações do produtor rural pessoa física
de que trata a alínea a do inciso V do caput do artigo 9º e do segurado
especial, independentemente de as operações de venda ou consignação terem sido
realizadas diretamente com estes ou com intermediário pessoa física, exceto nos
casos do inciso III;
II
- pela pessoa física não produtor rural, que fica sub-rogada no cumprimento das
obrigações do produtor rural pessoa física de que trata a alínea a do inciso V
do caput do artigo 9º e do segurado especial, quando adquire produção para
venda, no varejo, a consumidor pessoa física; ou
III
- pela pessoa física de que trata alínea a do inciso V do caput do artigo 9º e
pelo segurado especial, caso comercializem sua produção com adquirente
domiciliado no exterior, diretamente, no varejo, a consumidor pessoa física, a
outro produtor rural pessoa física ou a outro segurado especial.
§
8º O produtor rural pessoa física continua obrigado a arrecadar e recolher ao
Instituto Nacional do Seguro Social a contribuição do segurado empregado e do
trabalhador avulso a seu serviço, descontando-a da respectiva remuneração, nos
mesmos prazos e segundo as mesmas normas aplicadas às empresas em geral.
CAPÍTULO
IV
DAS
CONTRIBUIÇÕES DA EMPRESA E DO EMPREGADOR DOMÉSTICO
Seção
I
Das
Contribuições da Empresa
Art.
201. A contribuição a cargo da empresa, destinada à seguridade social, é de:
I -
vinte por cento sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas, a
qualquer título, no decorrer do mês, aos segurados empregados, além das
contribuições previstas nos artigos 202 e 204;
II
- quinze por cento sobre o total das remunerações ou retribuições pagas ou
creditadas no decorrer do mês ao segurado empresário, trabalhador autônomo ou a
este equiparado, trabalhador avulso e demais pessoas físicas pelos serviços
prestados sem vínculo empregatício;
III
- quinze por cento sobre o total das importâncias pagas, distribuídas ou
creditadas pelas cooperativas de trabalho aos seus cooperados, a título de
remuneração ou retribuição pelos serviços que prestam a pessoas jurídicas por
intermédio delas; e
IV
- dois vírgula cinco por cento sobre o total da receita bruta proveniente da
comercialização da produção rural, quando se tratar de pessoa jurídica que
tenha como fim apenas a atividade de produção rural.
§
1º São consideradas remuneração as importâncias auferidas em uma ou mais
empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou
creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho,
qualquer que seja a sua forma, inclusive os ganhos habituais sob a forma de
utilidades, ressalvado o disposto no § 9º do artigo 214 e excetuado o lucro
distribuído ao segurado empresário, observados os termos do inciso II do § 5º.
§
2º Integra a remuneração para o disposto nos incisos II e III do caput a bolsa
de estudos paga ou creditada ao médico-residente, observado, no que couber, o
disposto no artigo 4º da Lei nº 6.932, de 1981, com a redação dada pelo artigo
1º da Lei nº 8.138, de 1990.
§
3º No caso de empresa dispensada de escrituração contábil, na forma § 16 do
artigo 225, e não havendo comprovação dos valores pagos ou creditados ao
segurado empresário, a contribuição mínima da empresa referente a esse segurado
será de quinze por cento sobre o seu salário-base de que trata o artigo 215.
Não havendo salário-base, em função do disposto no § 5º do artigo 215, a
contribuição incidirá sobre o valor do salário-base da classe um.
§
4º A remuneração paga ou creditada a transportador autônomo pelo frete, carreto
ou transporte de passageiros realizado por conta própria corresponderá ao valor
resultante da aplicação de um dos percentuais estabelecidos pelo Ministério da
Previdência e Assistência Social sobre o valor bruto do frete, carreto ou
transporte de passageiros, para determinação do valor mínimo da remuneração.
§
5º No caso de sociedade civil de prestação de serviços profissionais relativos
ao exercício de profissões legalmente regulamentadas, a contribuição da empresa
referente a segurado empresário, observado o disposto no artigo 225 e
legislação específica, será de quinze por cento sobre:
I -
a remuneração paga ou creditada aos sócios em decorrência de seu trabalho, de
acordo com a escrituração contábil da empresa; ou
II
- os valores totais pagos ou creditados aos sócios, ainda que a título de
antecipação de lucro da pessoa jurídica, quando não houver discriminação entre
a remuneração decorrente do trabalho e a proveniente do capital social.
§
6º No caso de banco comercial, banco de investimento, banco de desenvolvimento,
caixa econômica, sociedade de crédito, financiamento e investimento, sociedade
de crédito imobiliário, inclusive associação de poupança e empréstimo,
sociedade corretora, distribuidora de títulos e valores mobiliários, inclusive
bolsa de mercadorias e de valores, empresa de arrendamento mercantil, empresa
de seguros privados e de capitalização, agente autônomo de seguros privados e
de crédito e entidade de previdência privada, aberta e fechada, além das
contribuições referidas nos incisos I e II do caput e nos artigos 202 e 204, é
devida a contribuição adicional de dois vírgula cinco por cento sobre a base de
cálculo definida nos incisos I e II do caput e, no caso de cooperativa de crédito,
sobre a base de cálculo referida no inciso I do caput.
§
7º A pessoa jurídica enquadrada na condição de microempresa ou de empresa de
pequeno porte, na forma do artigo 2º da Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996,
que optar pela inscrição no Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e
Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte, contribuirá na
forma estabelecida no artigo 23 da referida Lei, em substituição às
contribuições de que tratam os incisos I a IV do caput e os artigos 202 e 204.
§
8º A contribuição será sempre calculada na forma dos incisos II ou III do caput
quando a remuneração ou retribuição for paga ou creditada a pessoa física,
quando ausentes os requisitos que caracterizem o segurado como empregado, mesmo
que não esteja inscrita no Regime Geral de Previdência Social.
§
9º Quando as contribuições previstas nos incisos II e III do caput forem
decorrentes de remuneração ou retribuição paga ou creditada a trabalhador
autônomo ou a este equiparado que esteja contribuindo conforme a escala de
salários-base, a empresa, cooperativa ou pessoa jurídica responsável pela
contribuição poderá optar, dependendo da situação, pelo recolhimento de vinte
por cento sobre:
I -
o salário-base correspondente à classe em que o segurado estiver enquadrado,
desde que esteja posicionado nas classes de quatro a dez;
II
- o salário-base da classe quatro, quando o segurado estiver posicionado nas
classes um, dois ou três; ou
III
- o salário-base da classe um, quando o segurado estiver dispensado do
recolhimento sobre a escala de salários-base, em virtude de já estar
contribuindo sobre o limite máximo do salário-de-contribuição a que se refere o
§ 5º do artigo 214, pelo exercício de outras atividades que exijam filiação
obrigatória.
§
10. A contribuição será a referida nos incisos II ou III do caput, sem direito
à opção, se o trabalhador autônomo ou a este equiparado contratado não estiver
inscrito no Regime Geral de Previdência Social em atividade sujeita a
salário-base.
§
11. O direito à opção prevista no § 9º não se aplica aos casos de remuneração
ou retribuição paga ou creditada ao segurado empresário e ao trabalhador
avulso.
§
12. A empresa, cooperativa ou pessoa jurídica responsável pela contribuição
perde o direito à opção prevista no § 9º, se o trabalhador autônomo ou a este
equiparado contratado estiver em atraso com suas contribuições previdenciárias.
§
13. Para os fins do disposto no § 9º, a empresa deverá exigir do segurado
trabalhador autônomo ou a este equiparado cópia autenticada do comprovante de
recolhimento efetuado para o Instituto Nacional do Seguro Social, referente à
competência ou ao trimestre imediatamente anterior ao mês a que se refere a
retribuição.
§
14. O comprovante a que se refere o parágrafo anterior poderá ser a Guia da
Previdência Social ou outro documento que venha a substituí-la, para segurado
contribuindo como trabalhador autônomo ou a este equiparado, ou a declaração da
empresa respectiva, quando o segurado for empregado contribuindo sobre o limite
máximo do salário-de-contribuição.
§
15. Para os efeitos do inciso IV do caput e do § 8º do artigo 202, considera-se
receita bruta o valor recebido ou creditado pela comercialização da produção,
assim entendida a operação de venda ou consignação, observadas as disposições
do § 5º do artigo 200.
§
16. A partir de 14 de outubro de 1996, as contribuições de que tratam o inciso
IV do caput e o § 8º do artigo 202 são de responsabilidade do produtor rural
pessoa jurídica, não sendo admitida a sub-rogação ao adquirente, consignatário
ou cooperativa.
§
17. O produtor rural pessoa jurídica continua obrigado a arrecadar e recolher
ao Instituto Nacional do Seguro Social a contribuição do segurado empregado e
do trabalhador avulso a seu serviço, descontando-a da respectiva remuneração,
nos mesmos prazos e segundo as mesmas normas aplicadas às empresas em geral.
§
18. As contribuições a que se referem o inciso IV do caput e o § 8º do artigo
202 são exigíveis a partir da competência agosto de 1994, em substituição às
contribuições previstas no inciso I do caput e no artigo 202, devidas até a
competência julho de 1994 pelo produtor rural pessoa jurídica.
Art.
202. A contribuição da empresa, destinada ao financiamento da aposentadoria
especial, nos termos dos artigos 64 a 70, e dos benefícios concedidos em razão
do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos
ambientais do trabalho corresponde à aplicação dos seguintes percentuais,
incidentes sobre o total da remuneração paga, devida ou creditada a qualquer título,
no decorrer do mês, ao segurado empregado e trabalhador avulso:
I -
um por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente
do trabalho seja considerado leve;
II
- dois por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de
acidente do trabalho seja considerado médio; ou
III
- três por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de
acidente do trabalho seja considerado grave.
§
1º As alíquotas constantes do caput serão acrescidas de doze, nove ou seis
pontos percentuais, respectivamente, se a atividade exercida pelo segurado a
serviço da empresa ensejar a concessão de aposentadoria especial após quinze,
vinte ou vinte e cinco anos de contribuição.
§
2º O acréscimo de que trata o parágrafo anterior incide exclusivamente sobre a
remuneração do segurado sujeito às condições especiais que prejudiquem a saúde
ou a integridade física.
§
3º Considera-se preponderante a atividade que ocupa, na empresa, o maior número
de segurados empregados e trabalhadores avulsos.
§
4º A atividade econômica preponderante da empresa e os respectivos riscos de
acidentes do trabalho compõem a Relação de Atividades Preponderantes e
correspondentes Graus de Risco, prevista no Anexo V.
§
5º O enquadramento no correspondente grau de risco é de responsabilidade da
empresa, observada a sua atividade econômica preponderante e será feito
mensalmente, cabendo ao Instituto Nacional do Seguro Social rever o
auto-enquadramento em qualquer tempo.
§
6º Verificado erro no auto-enquadramento, o Instituto Nacional do Seguro Social
adotará as medidas necessárias à sua correção, orientando o responsável pela
empresa em caso de recolhimento indevido e procedendo à notificação dos valores
devidos.
§
7º O disposto neste artigo não se aplica à pessoa física de que trata a alínea
a do inciso V do caput do artigo 9º.
§
8º Quando se tratar de produtor rural pessoa jurídica que se dedique à produção
rural e contribua nos moldes do inciso IV do caput do artigo 201, a
contribuição referida neste artigo corresponde a zero vírgula um por cento
incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização de sua produção.
§
9º A contribuição de que trata este artigo, a cargo da microempresa e da
empresa de pequeno porte não optantes pela inscrição no Sistema Integrado de
Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno
Porte, corresponde ao percentual mínimo, nos termos do inciso I do artigo 17 da
Lei nº 8.864, de 28 de março de 1994.
Art.
203. A fim de estimular investimentos destinados a diminuir os riscos
ambientais no trabalho, o Ministério da Previdência e Assistência Social poderá
alterar o enquadramento de empresa que demonstre a melhoria das condições do
trabalho, com redução dos agravos à saúde do trabalhador, obtida através de
investimentos em prevenção e em sistemas gerenciais de risco.
§
1º A alteração do enquadramento estará condicionada à inexistência de débitos
em relação às contribuições devidas ao Instituto Nacional do Seguro Social e
aos demais requisitos estabelecidos pelo Ministério da Previdência e
Assistência Social.
§
2º O Instituto Nacional do Seguro Social, com base principalmente na
comunicação prevista no artigo 336, implementará sistema de controle e
acompanhamento de acidentes do trabalho.
§
3º Verificado o descumprimento por parte da empresa dos requisitos fixados pelo
Ministério da Previdência e Assistência Social, para fins de enquadramento de
que trata o artigo anterior, o Instituto Nacional do Seguro Social procederá à
notificação dos valores devidos.
Art.
204. As contribuições a cargo da empresa, provenientes do faturamento e do
lucro, destinadas à seguridade social, além do disposto nos artigos 201 e 202,
são calculadas mediante a aplicação das seguintes alíquotas:
I -
até 31 de março de 1992, dois por cento sobre sua receita bruta, estabelecida
segundo o disposto no § 1º do artigo 1º do
Decreto-lei
nº 1.940, de 25 de maio de 1982, com a redação dada pelo artigo 22 do
Decreto-lei nº 2.397, de 21 de dezembro de 1987, e alterações posteriores; a
partir de 1º de abril de 1992 até 31 de janeiro de 1999, dois por cento sobre o
faturamento mensal, assim considerado a receita bruta das vendas de
mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza, nos
termos da Lei Complementar nº 70, de 30 de dezembro de 1991; a partir de 1º de
fevereiro de 1999, três por cento sobre o faturamento, nos termos da Lei nº
9.718, de 27 de novembro de 1998; e
II
- até 31 de dezembro de 1995, dez por cento sobre o lucro líquido do
período-base, antes da provisão para o Imposto de Renda, ajustado na forma do
artigo 2º da Lei nº 8.034, de 12 de abril de 1990; a partir de 1º de janeiro de
1996, oito por cento sobre o lucro líquido, nos termos da Lei nº 9.249, de 26
de dezembro de 1995.
§
1º A contribuição prevista no inciso I do caput não prejudicará a cobrança das
contribuições para o Programa de Integração Social e para o Programa de
Formação do Patrimônio do Servidor Público, sendo devida pelas pessoas
jurídicas, inclusive por aquelas a elas equiparadas pela legislação do imposto
de renda, e destinar-se-á exclusivamente às despesas com atividades-fins das
áreas de saúde, previdência e assistência social e integrará o orçamento da
seguridade social, observado o disposto no artigo 230.
§
2º Para as instituições de que trata o § 6º do artigo 201 a alíquota de
contribuição prevista no inciso II do caput é de:
I -
quinze por cento, até 31 de março de 1992, quando essas instituições foram
excluídas do pagamento da contribuição social sobre o faturamento, instituída
pela Lei Complementar nº 70, de 1991;
II
- vinte e três por cento, de 1º de abril de 1992 até 31 de dezembro de 1995; e
III
- dezoito por cento, a partir de 1º de janeiro de 1996.
§
3º O disposto neste artigo não se aplica às pessoas de que tratam a alínea a do
inciso V e o inciso VII do caput do artigo 9º.
Art.
205. A contribuição empresarial da associação desportiva que mantém equipe de
futebol profissional, destinada à seguridade social, em substituição às
previstas no inciso I do caput do artigo 201 e no artigo 202, corresponde a
cinco por cento da receita bruta decorrente dos espetáculos desportivos de que
participe em todo território nacional, em qualquer modalidade desportiva,
inclusive jogos internacionais, e de qualquer forma de patrocínio,
licenciamento de uso de marcas e símbolos, publicidade, propaganda e
transmissão de espetáculos desportivos.
§
1º Cabe à entidade promotora do espetáculo a responsabilidade de efetuar o
desconto de cinco por cento da receita bruta decorrente dos espetáculos
desportivos e o respectivo recolhimento ao Instituto Nacional do Seguro Social,
no prazo de até dois dias úteis após a realização do evento.
§
2º Cabe à associação desportiva que mantém equipe de futebol profissional
informar à entidade promotora do espetáculo desportivo todas as receitas
auferidas no evento, discriminando-as detalhadamente.
§
3º Cabe à empresa ou entidade que repassar recursos a associação desportiva que
mantém equipe de futebol profissional, a título de patrocínio, licenciamento de
uso de marcas e símbolos, publicidade, propaganda e transmissão de espetáculos,
a responsabilidade de reter e recolher, no prazo estabelecido na alínea b do
inciso I do artigo 216, o percentual de cinco por cento da receita bruta,
inadmitida qualquer dedução.
§
4º O Conselho Deliberativo do Instituto Nacional de Desenvolvimento do Desporto
informará ao Instituto Nacional do Seguro Social, com a antecedência
necessária, a realização de todo espetáculo esportivo de que a associação
desportiva referida no caput participe no território nacional.
§
5º O não-recolhimento das contribuições a que se referem os §§ 1º e 3º nos
prazos estabelecidos no § 1º deste artigo e na alínea b do inciso I do artigo
216, respectivamente, sujeitará os responsáveis ao pagamento de atualização
monetária, quando couber, juros moratórios e multas, na forma do artigo 239.
§
6º O não-desconto ou a não-retenção das contribuições a que se referem os §§ 1º
e 3º sujeitará a entidade promotora do espetáculo, a empresa ou a entidade às
penalidades previstas no artigo 283.
§
7º O disposto neste artigo não se aplica às demais entidades desportivas, que
continuam a contribuir na forma dos artigos 201, 202 e 204, a partir da
competência novembro de 1991.
§
8º O disposto no caput e §§ 1º a 6º aplica-se à associação desportiva que
mantém equipe de futebol profissional e que se organize na forma da Lei nº
9.615, de 24 de março de 1998.
Seção
II
Da
Isenção de Contribuições
Nota:
Ver Ordem de Serviço DAF nº 210, de 26.05.1999, DOU 28.05.1999.
Art.
206. Fica isenta das contribuições de que tratam os artigos 201, 202 e 204 a
pessoa jurídica de direito privado beneficente de assistência social que
atenda, cumulativamente, aos seguintes requisitos:
I -
seja reconhecida como de utilidade pública federal;
II
- seja reconhecida como de utilidade pública pelo respectivo Estado, Distrito
Federal ou Município onde se encontre a sua sede;
III
- seja portadora do Registro e do Certificado de Entidade de Fins Filantrópicos
fornecido pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três
anos;
IV
- promova, gratuitamente e em caráter exclusivo, a assistência social
beneficente a pessoas carentes, em especial a crianças, adolescentes, idosos e
portadores de deficiência;
V -
aplique integralmente o eventual resultado operacional na manutenção e
desenvolvimento de seus objetivos institucionais, apresentando, anualmente,
relatório circunstanciado de suas atividades ao Instituto Nacional do Seguro
Social; e
VI
- não percebam seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores,
benfeitores, ou equivalentes, remuneração, vantagens ou benefícios, por
qualquer forma ou título, em razão das competências, funções ou atividades que
lhes são atribuídas pelo respectivo estatuto social.
§
1º Para os fins deste artigo, entende-se por assistência social beneficente a
prestação gratuita de benefícios e serviços a quem destes necessitar.
§
2º Considera-se pessoa carente a que comprove não possuir meios de prover a
própria manutenção, nem tê-la provida por sua família, bem como ser
destinatária da Política Nacional de Assistência Social, aprovada pelo Conselho
Nacional de Assistência Social.
§
3º Para efeito do parágrafo anterior, considera-se não possuir meios de prover
a própria manutenção, nem tê-la provida por sua família, a pessoa cuja renda
familiar mensal corresponda a, no máximo, R$ 271,99 (duzentos e setenta e um
reais e noventa e nove centavos), reajustados nas mesmas épocas e com os mesmos
índices utilizados para o reajustamento do benefício de prestação continuada da
assistência social.
§
4º Considera-se também de assistência social beneficente a pessoa jurídica de
direito privado que, anualmente, ofereça e preste efetivamente, pelo menos,
sessenta por cento dos seus serviços ao Sistema Único de Saúde, não se lhe
aplicando o disposto nos §§ 2º e 3º deste artigo.
§
5º A isenção das contribuições é extensiva a todas as entidades mantidas, suas
dependências, estabelecimentos e obras de construção civil da pessoa jurídica
de direito privado beneficente, quando por ela executadas e destinadas a uso
próprio.
§
6º A isenção concedida a uma pessoa jurídica não é extensiva e nem abrange
outra pessoa jurídica, ainda que esta seja mantida por aquela, ou por ela
controlada.
§
7º O Instituto Nacional do Seguro Social verificará, periodicamente, se a
pessoa jurídica de direito privado beneficente continua atendendo aos
requisitos de que trata este artigo.
§
8º O Instituto Nacional do Seguro Social cancelará a isenção da pessoa jurídica
de direito privado beneficente que não atender aos requisitos previstos neste
artigo, a partir da data em que deixar de atendê-los, observado o seguinte
procedimento:
I -
se a fiscalização do Instituto Nacional do Seguro Social verificar que a pessoa
jurídica a que se refere este artigo deixou de cumprir os requisitos nele
previstos, emitirá Informação Fiscal na qual relatará os fatos que determinaram
a perda da isenção;
II
- a pessoa jurídica de direito privado beneficente será cientificada do inteiro
teor da Informação Fiscal, sugestões e conclusões emitidas pelo Instituto
Nacional do Seguro Social e terá o prazo de quinze dias para apresentação de
defesa e produção de provas;
III
- apresentada a defesa ou decorrido o prazo sem manifestação da parte
interessada, o Instituto Nacional do Seguro Social decidirá acerca do
cancelamento da isenção, emitindo Ato Cancelatório, se for o caso; e
IV
- cancelada a isenção, a pessoa jurídica de direito privado beneficente terá o
prazo de quinze dias, contados da ciência da decisão, para interpor recurso com
efeito suspensivo ao Conselho de Recursos da Previdência Social.
§
9º Não cabe recurso ao Conselho de Recursos da Previdência Social da decisão
que cancelar a isenção com fundamento nos incisos I, II e III do caput.
§
10. O Instituto Nacional do Seguro Social comunicará à Secretaria de Estado de
Assistência Social, à Secretaria Nacional de Justiça, à Secretaria da Receita
Federal e ao Conselho Nacional de Assistência Social o cancelamento de que
trata o § 8º.
§
11. As pessoas jurídicas de direito privado beneficentes, resultantes de cisão
ou desmembramento das que se encontram em gozo de isenção nos termos deste
artigo, poderão requerê-la, sem qualquer prejuízo, até quarenta dias após a
cisão ou o desmembramento, podendo, para tanto, valer-se da mesma documentação
que possibilitou o reconhecimento da isenção da pessoa jurídica que lhe deu
origem.
Art.
207. A pessoa jurídica de direito privado sem fins lucrativos, que exerce
atividade educacional nos termos da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, ou
que atenda ao Sistema Único de Saúde, mas não pratique de forma exclusiva e
gratuita atendimento a pessoas carentes, gozará da isenção das contribuições de
que tratam os artigos 201, 202 e 204, na proporção do valor das vagas cedidas,
integral e gratuitamente, a carentes ou do valor do atendimento à saúde de
caráter assistencial, desde que satisfaçam os requisitos constantes dos incisos
I, II, III, V e VI do caput do artigo 206.
§
1º O valor da isenção a ser usufruída pela pessoa jurídica de direito privado
sem fins lucrativos da área de educação corresponde ao percentual resultante da
relação existente entre o valor efetivo total das vagas cedidas, integral e
gratuitamente, e a receita bruta mensal proveniente da venda de serviços e de
bens não integrantes do ativo imobilizado, acrescida da receita decorrente de
doações particulares, a ser aplicado sobre o total das contribuições sociais
devidas.
§
2º Não será considerado, para os fins do cálculo da isenção de que trata o
parágrafo anterior, o valor das vagas cedidas com gratuidade parcial, nem
cedidas a alunos não carentes.
§
3º O valor da isenção a ser usufruída pela pessoa jurídica de direito privado
sem fins lucrativos que presta serviços ao Sistema Único de Saúde corresponde
ao percentual resultante da relação existente entre a receita auferida com
esses serviços e o total da receita bruta mensal proveniente da venda de
serviços e de bens não-integrantes do ativo imobilizado, acrescida da receita
decorrente de doações particulares, excluída a receita decorrente dos
atendimentos ao Sistema Único de Saúde, a ser aplicado sobre o total das
contribuições sociais devidas.
§
4º O cálculo do percentual de isenção a ser utilizado mês a mês será efetuado
tomando-se por base as receitas de serviços e contribuições relativas ao mês
anterior ao da competência, à exceção do mês de abril de 1999, que será
efetuado tomando-se por base os valores do próprio mês.
§
5º No caso de pessoa jurídica de direito privado sem fins lucrativos que preste
simultaneamente serviços nas áreas de educação e saúde, a isenção a ser
usufruída será calculada nos termos dos §§ 1º e 3º, em relação a cada uma
daquelas atividades, isoladamente.
§
6º O recolhimento das contribuições previstas nos artigos 201 e 202, para a
pessoa jurídica de direito privado de que trata este artigo, deduzida a isenção
calculada com base nos §§ 1º e 3º, deverá ser efetuado até o dia dois do mês
seguinte ao da competência.
§
7º A isenção das contribuições é extensiva a todas as entidades mantidas, suas
dependências, estabelecimentos e obras de construção civil da pessoa jurídica
de direito privado sem fins lucrativos, quando por ela executadas e destinadas
a uso próprio, desde que voltadas a atividades educacionais ou de atendimento
ao Sistema Único de Saúde, na forma deste Regulamento.
§
8º O Instituto Nacional do Seguro Social verificará, periodicamente, se a
pessoa jurídica de direito privado sem fins lucrativos continua atendendo aos
requisitos de que trata este artigo.
§
9º Caberá ao órgão gestor municipal de assistência social, bem como ao
respectivo conselho, acompanhar e fiscalizar a concessão das vagas, integrais e
gratuitas, cedidas anualmente pela pessoa jurídica de direito privado de que
trata o caput.
§
10. Aplica-se à pessoa jurídica de direito privado de que trata o caput o
disposto nos §§ 2º, 3º, 6º, 8º, 9º, 10 e 11 do artigo 206.
§
11. Para os efeitos deste artigo, considera-se carente o aluno de curso de
educação superior cuja renda familiar mensal per capita corresponda, no máximo,
a R$ 313,83 (trezentos e treze reais e oitenta e três centavos), reajustados
nas mesmas épocas e com os mesmos índices utilizados para o reajustamento do
benefício de prestação continuada da assistência social.
Art.
208. A pessoa jurídica de direito privado deve requerer o reconhecimento da
isenção ao Instituto Nacional do Seguro Social, em formulário próprio, juntando
os seguintes documentos:
I -
decretos declaratórios de entidade de utilidade pública federal e estadual ou
do Distrito Federal ou municipal;
II
- Registro e Certificado de Entidade de Fins Filantrópicos expedido pelo
Conselho Nacional de Assistência Social;
III
- estatuto da entidade com a respectiva certidão de registro em cartório ou no
Registro Civil de Pessoas Jurídicas;
IV
- ata de eleição ou nomeação da diretoria em exercício, registrada em cartório
ou no Registro Civil de Pessoas Jurídicas;
V -
comprovante de entrega da declaração de imunidade do imposto de renda de pessoa
jurídica, fornecido pelo setor competente do Ministério da Fazenda;
VI
- relação nominal de todas as suas dependências, estabelecimentos e obras de
construção civil, identificados pelos respectivos números de inscrição no
Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica ou matrícula no Cadastro Específico do
Instituto Nacional do Seguro Social; e
VII
- resumo de informações de assistência social, em formulário próprio.
§
1º O Instituto Nacional do Seguro Social decidirá sobre o pedido no prazo de
trinta dias contados da data do protocolo.
§
2º Deferido o pedido, o Instituto Nacional do Seguro Social expedirá Ato
Declaratório e comunicará à pessoa jurídica requerente a decisão sobre o pedido
de reconhecimento do direito à isenção, que gerará efeito a partir da data do
seu protocolo.
§
3º A eventual existência de débito da requerente no período de 1º de setembro
de 1977, data da revogação da Lei nº 3.577, de 4 de julho de 1959, até a data
do pedido da isenção, constituirá impedimento ao seu deferimento, até que seja
regularizada a situação da pessoa jurídica de direito privado perante o
Instituto Nacional do Seguro Social, nos termos da Lei nº 9.429, de 26 de
dezembro de 1996.
§
4º No caso de não ser proferida a decisão de que trata o § 1º, o interessado
poderá reclamar à autoridade superior, que apreciará o pedido da concessão da
isenção requerida e promoverá a apuração de eventual responsabilidade do
servidor omisso, se for o caso.
§
5º Indeferido o pedido de isenção, cabe recurso ao Conselho de Recursos da
Previdência Social, que decidirá por uma de suas Câmaras de Julgamento.
§
6º Os documentos referidos nos incisos I a V poderão ser apresentados por
cópia, conferida e autenticada pelo servidor encarregado da instrução, à vista
dos respectivos originais.
Art.
209. A pessoa jurídica de direito privado beneficiada com a isenção de que
trata os artigos 206 ou 207 é obrigada a apresentar, anualmente, até 30 de
abril, ao órgão do Instituto Nacional do Seguro Social jurisdicionante de sua
sede, relatório circunstanciado de suas atividades no exercício anterior, na
forma por ele definida, contendo as seguintes informações e documentos:
I -
localização de sua sede;
II
- nome e qualificação completa de seus dirigentes;
III
- relação dos seus estabelecimentos e obras de construção civil identificados
pelos respectivos números do Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica ou no
Cadastro Específico do Instituto Nacional do Seguro Social;
IV
- descrição pormenorizada dos serviços assistenciais, de educação ou de saúde
prestados a pessoas carentes, em especial a crianças, adolescentes, idosos e
portadores de deficiência, mencionando a quantidade de atendimentos e os
respectivos custos, para o caso da pessoa jurídica de direito privado a que se
refere o artigo 206;
V -
demonstrativo mensal por atividade, no qual conste a quantidade de atendimentos
gratuitos oferecidos a pessoas carentes, o valor efetivo total das vagas
cedidas, a receita proveniente dos atendimentos prestados ao Sistema Único de
Saúde, o valor da receita bruta, da contribuição social devida, o percentual e
o valor da isenção usufruída, para o caso da pessoa jurídica de direito privado
a que se refere o artigo 207; e
VI
- resumo de informações de assistência social.
§
1º A pessoa jurídica de direito privado de que trata o caput será, ainda,
obrigada a manter à disposição do Instituto Nacional do Seguro Social, durante
dez anos, os seguintes documentos:
I -
balanço patrimonial e da demonstração de resultado do exercício, com
discriminação das receitas e despesas, relativos ao exercício anterior, para o
caso da pessoa jurídica de direito privado de que trata o artigo 206;
II
- demonstrações contábeis e financeiras relativas ao exercício anterior, para o
caso da pessoa jurídica de direito privado de que trata o artigo 207,
abrangendo:
a)
balanço patrimonial;
b)
demonstração de resultado do exercício, com discriminação das receitas e
despesas;
c)
demonstração de mutação de patrimônio; e
d)
notas explicativas.
§
2º A pessoa jurídica de direito privado de que trata o caput deverá apresentar,
até 31 de janeiro de cada ano, plano de ação das atividades a serem
desenvolvidas durante o ano em curso.
§
3º A pessoa jurídica de direito privado manterá, ainda, as folhas de pagamento
relativas ao período, bem como os respectivos documentos de arrecadação que
comprovem o recolhimento das contribuições ao Instituto Nacional do Seguro
Social, além de outros documentos que possam vir a ser solicitados pela
fiscalização do Instituto, devendo, também, registrar na sua contabilidade, de
forma discriminada, os valores aplicados em gratuidade, bem como o valor
correspondente à isenção das contribuições previdenciárias a que fizer jus.
§
4º O Ministério da Previdência e Assistência Social poderá determinar à pessoa
jurídica de direito privado isenta das contribuições sociais nos termos dos
artigos 206 ou 207 que obedeça a plano de contas padronizado segundo critérios
por ele definidos, aos princípios fundamentais de contabilidade e às normas
emanadas do Conselho Federal de Contabilidade.
§
5º Aplicam-se à pessoa jurídica de direito privado no exercício do direito à
isenção as demais normas de arrecadação, fiscalização e cobrança estabelecidas
neste Regulamento.
§
6º A falta da apresentação do relatório anual circunstanciado ou de qualquer
documento que o acompanhe ao Instituto Nacional do Seguro Social constitui
infração ao inciso III do caput do artigo 225.
§
7º A pessoa jurídica de direito privado que se enquadre nos artigos 206 ou 207
deverá manter, em seu estabelecimento, em local visível ao público, placa
indicativa da respectiva disponibilidade de serviços gratuitos de assistência
social, educacionais ou de saúde a pessoas carentes, em especial a crianças,
adolescentes, idosos e portadores de deficiência, indicando tratar-se de pessoa
jurídica de direito privado abrangida pela isenção de contribuições sociais,
segundo modelo estabelecido pelo Ministério da Previdência e Assistência
Social.
Art.
210. O Instituto Nacional do Seguro Social, a Secretaria de Estado de
Assistência Social e o Conselho Nacional de Assistência Social manterão intercâmbio
de informações, observados os seguintes procedimentos:
I -
o Conselho Nacional de Assistência Social comunicará mensalmente ao Instituto
Nacional do Seguro Social e à Secretaria de Estado de Assistência Social as
decisões sobre deferimento ou indeferimento dos pedidos de concessão ou
renovação do Registro e do Certificado de Entidade de Fins Filantrópicos;
II
- os Conselhos de Assistência Social dos Estados, do Distrito Federal e dos
Municípios e os órgãos gestores desses entes estatais comunicarão, a qualquer
época, ao Instituto Nacional do Seguro Social, à Secretaria de Estado de
Assistência Social e ao Conselho Nacional de Assistência Social as
irregularidades verificadas na oferta dos serviços assistenciais prestados pela
pessoa jurídica de direito privado abrangida pela isenção de contribuições
sociais; e
III
- o Instituto Nacional do Seguro Social repassará à Secretaria de Estado de
Assistência Social e ao Conselho Nacional de Assistência Social as informações
de assistência social relativas às pessoas jurídicas de direito privado
abrangidas pela isenção de contribuições sociais.
Parágrafo
único. O Instituto Nacional do Seguro Social publicará anualmente, até 30 de
junho, para fins de controle de fiscalização, informando à Secretaria de Estado
de Assistência Social, ao Conselho Nacional de Assistência Social, à Secretaria
da Receita Federal e à Secretaria Nacional de Justiça, a lista das entidades
beneficentes ou as isentas a que se refere os artigos 206 e 207, especialmente
as de educação e de saúde.
Seção
III
Da
Contribuição do Empregador Doméstico
Art.
211. A contribuição do empregador doméstico é de doze por cento do
salário-de-contribuição do empregado doméstico a seu serviço.
CAPÍTULO
V
DA
CONTRIBUIÇÃO SOBRE A RECEITA DE CONCURSOS DE PROGNÓSTICOS
Art.
212. Constitui receita da seguridade social a renda líquida dos concursos de
prognósticos, excetuando-se os valores destinados ao Programa de Crédito
Educativo.
§
1º Consideram-se concurso de prognósticos todo e qualquer concurso de sorteio
de números ou quaisquer outros símbolos, loterias e apostas de qualquer
natureza no âmbito federal, estadual, do Distrito Federal ou municipal,
promovidos por órgãos do Poder Público ou por sociedades comerciais ou civis.
§
2º A contribuição de que trata este artigo constitui-se de:
I -
renda líquida dos concursos de prognósticos realizados pelos órgãos do Poder
Público destinada à seguridade social de sua esfera de governo;
II
- cinco por cento sobre o movimento global de apostas em prado de corridas; e
III
- cinco por cento sobre o movimento global de sorteio de números ou de
quaisquer modalidades de símbolos.
§
3º Para o efeito do disposto no parágrafo anterior, entende-se como:
I -
renda líquida - o total da arrecadação, deduzidos os valores destinados ao
pagamento de prêmios, de impostos e de despesas com administração;
II
- movimento global das apostas - total das importâncias relativas às várias
modalidades de jogos, inclusive o de acumulada, apregoadas para o público no
prado de corrida, subsede ou outra dependência da entidade; e
III
- movimento global de sorteio de números - o total da receita bruta, apurada
com a venda de cartelas, cartões ou quaisquer outras modalidades, para sorteio
realizado em qualquer condição.
CAPÍTULO
VI
DAS
OUTRAS RECEITAS DA SEGURIDADE SOCIAL
Art.
213. Constituem outras receitas da seguridade social:
I -
as multas, a atualização monetária e os juros moratórios;
II
- a remuneração recebida pela prestação de serviços de arrecadação,
fiscalização e cobrança prestados a terceiros;
III
- as receitas provenientes de prestação de outros serviços e de fornecimento ou
arrendamento de bens;
IV
- as demais receitas patrimoniais, industriais e financeiras;
V-
as doações, legados, subvenções e outras receitas eventuais;
VI
- cinqüenta por cento da receita obtida na forma do parágrafo único do artigo
243 da Constituição Federal, repassados pelo Instituto Nacional do Seguro
Social aos órgãos responsáveis pelas ações de proteção à saúde e a ser aplicada
no tratamento e recuperação de viciados em entorpecentes e drogas afins;
VII
- quarenta por cento do resultado dos leilões dos bens apreendidos pela
Secretaria da Receita Federal; e
VIII
- outras receitas previstas em legislação específica.
Parágrafo
único. A companhia seguradora que mantém seguro obrigatório de danos pessoais
causados por veículos automotores de vias terrestres, de que trata a Lei nº
6.194, de 19 de dezembro de 1974, deverá repassar à seguridade social cinqüenta
por cento do valor total do prêmio recolhido, destinados ao Sistema Único de
Saúde, para custeio da assistência médico-hospitalar dos segurados vitimados em
acidentes de trânsito, obedecido o prazo estabelecido na alínea b do inciso I
do artigo 216.
CAPÍTULO
VII
DO
SALÁRIO-DE-CONTRIBUIÇÃO
Art.
214. Entende-se por salário-de-contribuição:
I -
para o empregado e o trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais
empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou
creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho,
qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a
forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer
pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador
ou tomador de serviços, nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de
convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa;
II
- para o empregado doméstico: a remuneração registrada na Carteira Profissional
e/ou na Carteira de Trabalho e Previdência Social, observados os limites mínimo
e máximo previstos nos §§ 3º e 5º;
III
- para o trabalhador autônomo ou a este equiparado, empresário e segurado
facultativo: o salário-base, observado o disposto no artigo 215;
IV
- para o dirigente sindical na qualidade de empregado: a remuneração paga,
devida ou creditada pela entidade sindical, pela empresa ou por ambas; e
V -
para o dirigente sindical na qualidade de trabalhador avulso: a remuneração
paga, devida ou creditada pela entidade sindical.
§
1º Quando a admissão, a dispensa, o afastamento ou a falta do empregado,
inclusive o doméstico, ocorrer no curso do mês, o salário-de-contribuição será
proporcional ao número de dias efetivamente trabalhados, observadas as normas
estabelecidas pelo Instituto Nacional do Seguro Social.
§
2º O salário-maternidade é considerado salário-de-contribuição.
§
3º O limite mínimo do salário-de-contribuição corresponde ao piso salarial
legal ou normativo da categoria ou, inexistindo este, ao salário mínimo, tomado
no seu valor mensal, diário ou horário, conforme o ajustado e o tempo de
trabalho efetivo durante o mês.
§
4º A remuneração adicional de férias de que trata o inciso XVII do artigo 7º da
Constituição Federal integra o salário-de-contribuição.
§
5º O valor do limite máximo do salário-de-contribuição será publicado mediante
portaria do Ministério da Previdência e Assistência Social, sempre que ocorrer
alteração do valor dos benefícios.
§
6º A gratificação natalina - décimo terceiro salário - integra o
salário-de-contribuição, exceto para o cálculo do salário-de-benefício, sendo
devida a contribuição quando do pagamento ou crédito da última parcela ou na
rescisão do contrato de trabalho.
§
7º A contribuição de que trata o § 6º incidirá sobre o valor bruto da
gratificação, sem compensação dos adiantamentos pagos, mediante aplicação, em
separado, da tabela de que trata o artigo 198 e observadas as normas
estabelecidas pelo Instituto Nacional do Seguro Social.
§
8º O valor das diárias para viagens, quando excedente a cinqüenta por cento da
remuneração mensal do empregado, integra o salário-de-contribuição pelo seu
valor total.
§
9º Não integram o salário-de-contribuição, exclusivamente:
I -
os benefícios da previdência social, nos termos e limites legais, ressalvado o
disposto no § 2º;
II
- a ajuda de custo e o adicional mensal recebidos pelo aeronauta, nos termos da
Lei nº 5.929, de 30 de outubro de 1973;
III
- a parcela in natura recebida de acordo com programa de alimentação aprovado
pelo Ministério do Trabalho e Emprego, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de
abril de 1976;
IV
- as importâncias recebidas a título de férias indenizadas e respectivo
adicional constitucional, inclusive o valor correspondente à dobra da
remuneração de férias de que trata o artigo 137 da Consolidação das Leis do
Trabalho;
V -
as importâncias recebidas a título de:
a)
indenização compensatória de quarenta por cento do montante depositado no Fundo
de Garantia do Tempo de Serviço, como proteção à relação de emprego contra despedida
arbitrária ou sem justa causa, conforme disposto no inciso I do artigo 10 do
Ato das Disposições Constitucionais Transitórias;
b)
indenização por tempo de serviço, anterior a 5 de outubro de 1988, do empregado
não optante pelo Fundo de Garantia do Tempo de Serviço;
c)
indenização por despedida sem justa causa do empregado nos contratos por prazo
determinado, conforme estabelecido no artigo 479 da Consolidação das Leis do
Trabalho;
d)
indenização do tempo de serviço do safrista, quando da expiração normal do
contrato, conforme disposto no artigo 14 da Lei nº 5.889, de 8 de junho de
1973;
e)
incentivo à demissão;
f)
aviso prévio indenizado;
g)
indenização por dispensa sem justa causa no período de trinta dias que antecede
a correção salarial a que se refere o artigo 9º da Lei nº 7.238, de 29 de
outubro de 1984;
h)
indenizações previstas nos artigos 496 e 497 da Consolidação das Leis do
Trabalho;
i)
abono de férias na forma dos artigos 143 e 144 da Consolidação das Leis do
Trabalho;
j)
ganhos eventuais e abonos expressamente desvinculados do salário;
l)
licença-prêmio indenizada; e
m)
outras indenizações, desde que expressamente previstas em lei;
VI
- a parcela recebida a título de vale-transporte, na forma da legislação
própria;
VII
- a ajuda de custo, em parcela única, recebida exclusivamente em decorrência de
mudança de local de trabalho do empregado, na forma do artigo 470 da
Consolidação das Leis do Trabalho;
VIII
- as diárias para viagens, desde que não excedam a cinqüenta por cento da remuneração
mensal do empregado;
IX
- a importância recebida a título de bolsa de complementação educacional de
estagiário, quando paga nos termos da Lei nº 6.494, de 1977;
X -
a participação do empregado nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou
creditada de acordo com lei específica;
XI
- o abono do Programa de Integração Social/Programa de Assistência ao Servidor
Público;
XII
- os valores correspondentes a transporte, alimentação e habitação fornecidos
pela empresa ao empregado contratado para trabalhar em localidade distante da
de sua residência, em canteiro de obras ou local que, por força da atividade,
exija deslocamento e estada, observadas as normas de proteção estabelecidas
pelo Ministério do Trabalho e Emprego;
XIII
- a importância paga ao empregado a título de complementação ao valor do
auxílio-doença desde que este direito seja extensivo à totalidade dos
empregados da empresa;
XIV
- as parcelas destinadas à assistência ao trabalhador da agroindústria
canavieira de que trata o artigo 36 da Lei nº 4.870, de 1º de dezembro de 1965;
XV
- o valor das contribuições efetivamente pago pela pessoa jurídica relativo a
programa de previdência complementar privada, aberta ou fechada, desde que
disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes, observados, no que
couber, os artigos 9º e
468
da Consolidação das Leis do Trabalho;
XVI
- o valor relativo à assistência prestada por serviço médico ou odontológico,
próprio da empresa ou com ela conveniado, inclusive o reembolso de despesas com
medicamentos, óculos, aparelhos ortopédicos, despesas médico-hospitalares e
outras similares, desde que a cobertura abranja a totalidade dos empregados e
dirigentes da empresa;
XVII
- o valor correspondente a vestuários, equipamentos e outros acessórios fornecidos
ao empregado e utilizados no local do trabalho para prestação dos respectivos
serviços;
XVIII
- o ressarcimento de despesas pelo uso de veículo do empregado e o reembolso
creche pago em conformidade com a legislação trabalhista, observado o limite
máximo de seis anos de idade da criança, quando devidamente comprovadas as
despesas realizadas;
XIX
- o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos
do artigo 21 da Lei nº 9.394, de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação
profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que
não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os
empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo;
XX
- a importância recebida a título de bolsa de aprendizagem garantida ao
adolescente até dezesseis anos de idade, nos termos da legislação específica;
XXI
- os valores recebidos em decorrência da cessão de direitos autorais; e
XXII
- o valor da multa paga ao empregado em decorrência da mora no pagamento das
parcelas constantes do instrumento de rescisão do contrato de trabalho,
conforme previsto no § 8º do artigo 477 da Consolidação das Leis do Trabalho.
§
10. As parcelas referidas no parágrafo anterior, quando pagas ou creditadas em
desacordo com a legislação pertinente, integram o salário-de-contribuição para
todos os fins e efeitos, sem prejuízo da aplicação das cominações legais
cabíveis.
§
11. Para a identificação dos ganhos habituais recebidos sob a forma de
utilidades, deverão ser observados:
I -
os valores reais das utilidades recebidas; ou
II
- os valores resultantes da aplicação dos percentuais estabelecidos em lei em
função do salário mínimo, aplicados sobre a remuneração paga caso não haja
determinação dos valores de que trata o inciso I.
§ 12.
O valor pago à empregada gestante, inclusive à doméstica, em função do disposto
na alínea b do inciso II do artigo 10 do Ato das Disposições Constitucionais
Transitórias da Constituição Federal, integra o salário-de-contribuição,
excluídos os casos de conversão em indenização previstos nos artigos 496 e 497
da Consolidação das Leis do Trabalho.
§
13. Para efeito de verificação do limite de que tratam o § 8º e o inciso VIII
do § 9º, não será computado, no cálculo da remuneração, o valor das diárias.
§ 14.
A incidência da contribuição sobre a remuneração das férias ocorrerá no mês a
que elas se referirem, mesmo quando pagas antecipadamente na forma da
legislação trabalhista.
§
15. O valor mensal do auxílio-acidente integra o salário-de-contribuição, para
fins de cálculo do salário-de-benefício de qualquer aposentadoria, observado,
no que couber, o disposto no artigo 32.
Art.
215. O salário-base de que trata o inciso III do caput do artigo 214 é
determinado de acordo com a seguinte escala:
ESCALA
DE SALÁRIOS-BASE
CLASSE SALÁRIOS-BASE NÚMERO
MÍNIMO DE
MESES DE PERMANÊNCIA
EM CADA CLASSE
(INTERSTÍCIOS)
1 R$ 136,00 12
2 R$ 240,00 12
3 R$ 360,00 24
4 R$ 480,00 24
5 R$ 600,00 36
6 R$ 720,00 48
7 R$ 840,00 48
8 R$ 960,00 60
9 R$ 1.080,00 60
10 R$ 1.200,00 -
§
1º O segurado que se filiar ao Regime Geral de Previdência Social como
facultativo, ou em decorrência do exercício de atividade cuja filiação é
obrigatória e sujeita a salário-base, será enquadrado na classe inicial, exceto
na hipótese prevista no § 8º.
§ 2º O segurado empregado, inclusive o doméstico, o trabalhador avulso e o